São Paulo concentra a maioria das notificações; Ministério da Saúde reforça vigilância, detalha sintomas, prevenção e compara dados com o ano passado
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O Brasil já contabiliza 90 casos de mpox em apenas dois meses de 2026, segundo dados atualizados do painel oficial do Ministério da Saúde. Do total, 88 casos estão confirmados, enquanto dois permanecem em investigação. Apesar do crescimento recente, o número ainda é significativamente inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o país enfrentava uma escalada mais intensa da doença.
De acordo com os dados oficiais, São Paulo concentra a maior parte das ocorrências, somando 63 casos. Em seguida aparecem o Rio de Janeiro, com 15 registros, Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2), Santa Catarina (1), Paraná (1) e o Distrito Federal (1). Até o momento, não há registro de óbitos, e a maioria dos pacientes apresenta quadros clínicos leves ou moderados.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que o país mantém vigilância ativa e resposta estruturada para conter a disseminação do vírus. A pasta destaca ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para garantir diagnóstico precoce, manejo clínico adequado e acompanhamento contínuo dos pacientes.
Transmissão e perfil dos casos
A mpox é transmitida principalmente pelo contato físico direto com pessoas infectadas, superfícies contaminadas ou animais portadores do vírus. Desde o surto global de 2022, uma das principais formas de disseminação passou a ser o contato íntimo durante relações sexuais.
Segundo o painel epidemiológico, 60% dos casos registrados em 2026 ocorreram por meio de relações sexuais entre homens, enquanto 7% resultaram de relações entre mulheres, e outros 7% entre homens e mulheres. Os demais registros estão associados a outras formas de contato físico próximo.
Sintomas: como identificar a mpox
Os sintomas iniciais da mpox costumam surgir entre seis e 13 dias após a exposição, podendo demorar até três semanas para se manifestar. Entre os sinais mais comuns estão:
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Febre
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Dor de cabeça
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Dores musculares
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Cansaço intenso
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Linfonodos inchados (ínguas)
Um dos sintomas mais característicos é o surgimento de lesões na pele, semelhantes a bolhas ou feridas. Elas geralmente começam no rosto e se espalham para mãos, pés e outras partes do corpo. Nos casos associados à transmissão sexual, as lesões costumam aparecer principalmente na região genital e anal.
Na maioria das situações, os sintomas regridem espontaneamente entre duas e três semanas, sem necessidade de internação hospitalar.
Prevenção e vacinação
As principais medidas preventivas incluem:
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Higienização frequente das mãos
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Evitar contato físico direto com pessoas infectadas
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Não compartilhar objetos de uso pessoal
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Uso de preservativo em relações sexuais
O Brasil também disponibiliza vacinação contra mpox para grupos prioritários, entre eles:
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Pessoas acima de 18 anos que vivem com HIV e apresentem contagem de células T CD4 inferior a 200 nos últimos seis meses
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Profissionais de 18 a 49 anos que atuam diretamente com Orthopoxvírus em laboratórios de biossegurança nível 2
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Pessoas expostas recentemente ao vírus, dentro da estratégia de vacinação pós-exposição
Comparação: 2025 x 2026
Apesar do número atual chamar atenção, o cenário de 2026 é mais controlado que o do ano passado. Em 2025, o Brasil alcançou a marca de 90 casos ainda na quarta semana epidemiológica, no final de janeiro. Já em 2026, esse total foi atingido apenas no fim de fevereiro.
No mesmo intervalo de oito semanas epidemiológicas, 2025 registrava 244 casos, contra apenas 90 em 2026. Além disso, enquanto no ano passado o país entrou na última semana de fevereiro com 31 casos ativos, neste ano eram apenas dois.
Comparação semanal dos casos
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Semana 1: 14 casos em 2025 | 12 em 2026
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Semana 2: 46 em 2025 | 15 em 2026
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Semana 3: 23 em 2025 | 14 em 2026
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Semana 4: 33 em 2025 | 16 em 2026
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Semana 5: 34 em 2025 | 13 em 2026
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Semana 6: 47 em 2025 | 11 em 2026
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Semana 7: 16 em 2025 | 7 em 2026
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Semana 8: 31 em 2025 | 2 em 2026
Alerta segue ativo
Mesmo com números mais baixos, especialistas alertam que a mpox continua exigindo atenção constante. A identificação precoce dos sintomas, a busca por atendimento médico e o isolamento temporário dos casos confirmados são medidas fundamentais para impedir novos surtos.
Autoridades sanitárias reforçam que o controle efetivo depende tanto da atuação do sistema público de saúde quanto da responsabilidade individual, especialmente no que diz respeito à prevenção e ao cuidado coletivo.
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