Nova vacina experimental contra o HIV gera anticorpos neutralizantes após uma única dose em testes com primatas

Estudo publicado na revista Nature Immunology aponta avanço inédito que pode reduzir número de injeções necessárias e acelerar o desenvolvimento de um imunizante para humanos
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

Pesquisadores do Instituto Wistar, nos Estados Unidos, anunciaram um avanço relevante na busca por uma vacina contra o HIV. Um novo candidato vacinal, chamado WIN332, foi capaz de induzir a produção de anticorpos neutralizantes após apenas uma dose em primatas não humanos — um resultado considerado inédito em décadas de tentativas frustradas de imunização contra o vírus. O estudo foi publicado em 3 de fevereiro de 2026 na revista científica Nature Immunology e abre caminho para protocolos mais simples e potencialmente mais acessíveis no futuro, embora ainda esteja em fase pré-clínica.

Avanço em um dos maiores desafios da medicina

O desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o HIV é considerado um dos maiores desafios da imunologia moderna. Isso ocorre porque o vírus apresenta alta taxa de mutação e mecanismos sofisticados para escapar da resposta do sistema imunológico, especialmente por meio de sua proteína de envelope — estrutura responsável pela entrada do vírus nas células humanas.

Historicamente, candidatos vacinais contra o HIV exigiram sete, oito ou até mais de dez aplicações ao longo de meses para gerar respostas imunológicas iniciais, muitas vezes ainda limitadas. O novo estudo propõe uma abordagem diferente e mais direta.

Modificação inédita do envelope viral

A pesquisa foi liderada pela imunologista Amelia Escolano, professora do Instituto Wistar, e concentrou esforços na modificação de uma região específica do envelope do HIV conhecida como epítopo glicano V3. Nessa área, o açúcar N332 sempre foi considerado essencial para a ligação entre o vírus e os anticorpos neutralizantes, motivo pelo qual nunca havia sido removido em estudos anteriores.

Contrariando protocolos tradicionais, os pesquisadores optaram por eliminar completamente esse açúcar, criando o imunógeno experimental WIN332. A intenção foi forçar o sistema imunológico a reconhecer o vírus de forma diferente, estimulando respostas mais precoces.

Resultados promissores com apenas uma aplicação

Após a administração do imunógeno em primatas não humanos, os cientistas observaram que, três semanas após a primeira dose, já havia uma neutralização do HIV baixa, porém detectável — algo que não havia sido registrado anteriormente em estudos similares.

Com a aplicação de uma segunda dose de reforço, os níveis de anticorpos neutralizantes aumentaram de forma significativa, sugerindo que o novo imunógeno pode encurtar e simplificar os esquemas de vacinação no futuro.

Segundo os autores do estudo, essa estratégia pode permitir que a imunidade desejada seja alcançada com menos aplicações, o que representa uma vantagem importante para campanhas de vacinação em larga escala, especialmente em regiões com acesso limitado a serviços de saúde.

Descoberta de novos tipos de anticorpos

Além dos resultados relacionados à resposta imunológica, o estudo revelou a existência de dois tipos distintos de anticorpos neutralizantes que atuam sobre o epítopo V3 do HIV. Enquanto alguns dependem da presença do açúcar N332 para se ligar ao vírus, outros conseguem neutralizá-lo mesmo sem essa estrutura.

Essa descoberta sugere que futuras vacinas poderão oferecer proteção mais ampla contra diferentes cepas do HIV, um fator crucial diante da diversidade genética do vírus em circulação no mundo.

Ainda não é uma vacina para humanos

Apesar do avanço, os próprios pesquisadores reforçam que o candidato vacinal ainda não foi testado em humanos. Os resultados obtidos até agora são restritos a modelos animais, e o imunógeno precisará passar por ensaios clínicos rigorosos para avaliar segurança, eficácia e duração da resposta imunológica antes de qualquer possibilidade de uso público.

Especialistas alertam que, embora promissor, o estudo não representa uma vacina pronta ou disponível, mas sim um passo importante em um processo longo e complexo.

Perspectivas futuras

Com mais de um milhão de pessoas vivendo com HIV apenas no Brasil e milhões em todo o mundo, avanços que tornem a prevenção mais simples, eficaz e acessível são considerados estratégicos para a saúde pública global.

Os pesquisadores do Instituto Wistar informam que avaliações pré-clínicas adicionais já estão em andamento. Caso os resultados continuem positivos, o candidato WIN332 poderá avançar para fases iniciais de testes em humanos nos próximos anos.

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