Renovação antecipada de Ancelotti divide opiniões e pressiona CBF às vésperas da Copa

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Sem garantia de desempenho no Mundial, confederação pode enfrentar desgaste esportivo e multa elevada ao estender vínculo até 2030
Por Schirley Passos|GNEWSUSA

A intenção da CBF de renovar o contrato de Carlo Ancelotti até 2030 antes da disputa da Copa do Mundo deste ano é vista nos bastidores como uma decisão precipitada e de alto risco. Embora a medida busque transmitir imagem de estabilidade e planejamento, ela pode gerar desgaste esportivo e financeiro caso a seleção brasileira não tenha desempenho convincente no Mundial.

O contrato atual do treinador italiano vai até o fim da Copa. A prorrogação antecipada, defendida pelo presidente da entidade, Samir Xaud, e bem recebida pelo técnico, pode ser oficializada nas próximas semanas. A avaliação crítica, porém, é de que o momento ideal para discutir continuidade seria após o torneio, quando o principal parâmetro de análise, o resultado em campo estará definido.

Historicamente, a permanência de treinadores na seleção brasileira está diretamente ligada ao desempenho em Copas do Mundo. Caso o Brasil não alcance ao menos as semifinais, cenário considerado mínimo para manutenção de ambiente favorável, a pressão por mudança será inevitável. Nesse contexto, um contrato estendido até 2030 teria pouco valor prático e poderia resultar em multa elevada em caso de demissão.

Até agora, Ancelotti soma oito partidas no comando da seleção, com quatro vitórias. O aproveitamento ainda é distante do que consolidou ciclos anteriores mais longos. A comparação com Tite, que permaneceu mesmo após eliminações nas quartas de final em 2018 e 2022, mostra que exceções são raras e dependem de desempenho consistente ao longo do trabalho.

Do ponto de vista financeiro, a renovação também envolve cifras expressivas. O treinador recebe atualmente cerca de R$ 5 milhões mensais. Uma extensão contratual antes da Copa tende a incluir reajuste salarial e cláusulas de rescisão robustas. Em caso de fracasso no Mundial e posterior desligamento, a CBF teria de arcar com indenização significativa.

A alternativa considerada mais prudente por especialistas seria aguardar o encerramento da competição. Se o Brasil conquistar o título ou alcançar campanha convincente, a renovação ocorreria em ambiente favorável e com respaldo esportivo. Se o desempenho for abaixo das expectativas, a entidade teria liberdade para encerrar o ciclo sem ônus adicional.

Ao optar pela antecipação, a CBF aposta na estabilidade institucional, mas assume risco elevado em um cenário tradicionalmente volátil, no qual resultados imediatos moldam decisões. Em ano de Copa do Mundo, o campo costuma ter a palavra final.

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