Ausência do banqueiro na CPMI do INSS aumenta pressão política e amplia questionamentos sobre as investigações
Por Ana Raquel|GNEWSUSA
O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) elevou o tom nesta segunda-feira (23) ao comentar as suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Durante manifestação pública, o parlamentar defendeu que, diante da gravidade das acusações, seria cabível a prisão preventiva do executivo, caso haja elementos que sustentem a medida.
Vorcaro foi convocado para prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura possíveis fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas informou previamente que não compareceria à sessão marcada. A decisão provocou reação imediata de integrantes da oposição.
Segundo Moro, o volume de recursos sob suspeita e o potencial impacto sobre o sistema financeiro justificariam providências mais duras por parte das autoridades competentes. O senador mencionou estimativas que apontariam para um rombo bilionário, incluindo valores ligados a créditos que poderiam envolver cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“Estamos falando de cifras bilionárias, com possível impacto sobre a estabilidade financeira e sobre a confiança da população. Isso precisa ser apurado com rigor absoluto”, declarou o senador.
Ausência na CPMI e clima de tensão
Nos bastidores do Congresso, interlocutores avaliam que o ambiente da CPMI se tornou mais tenso nas últimas semanas. Parlamentares sinalizaram intenção de ampliar o escopo das perguntas, incluindo possíveis conexões institucionais e relações com autoridades.
Entre os nomes que poderiam surgir durante os questionamentos estariam ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, segundo relatos de integrantes do colegiado. Até o momento, não há decisão judicial que vincule formalmente os ministros às suspeitas em investigação.
Aliados de Vorcaro indicam que a estratégia foi priorizar a audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde o formato é distinto e considerado mais técnico. A expectativa é que o executivo compareça à CAE para prestar esclarecimentos sobre operações financeiras relacionadas ao Banco Master.
Prisão preventiva: possibilidade jurídica
Especialistas ouvidos reservadamente no Congresso lembram que a prisão preventiva só pode ser decretada mediante requisitos legais claros, como risco à ordem pública, à ordem econômica, à instrução processual ou possibilidade de fuga. Até o momento, não há decisão judicial determinando qualquer medida cautelar contra o empresário.
A defesa de Vorcaro não se manifestou publicamente sobre as declarações do senador até o fechamento desta matéria.
Debate político e repercussão
O caso amplia a tensão entre oposição e governo em torno das investigações envolvendo o INSS e possíveis desdobramentos no sistema financeiro. Para parlamentares da ala mais crítica ao atual cenário institucional, o episódio reforça a necessidade de aprofundamento das apurações.
Por outro lado, juristas ressaltam que acusação não equivale a condenação e que eventuais responsabilidades devem ser estabelecidas exclusivamente com base em provas e decisões judiciais.
O andamento das investigações e a eventual participação do empresário nas audiências parlamentares deverão definir os próximos capítulos de um caso que já movimenta o cenário político e econômico nacional.
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