Tratado nuclear entre EUA e Rússia expira e deixa arsenais sem limites formais

Conhecido como New Start, o acordo era o último instrumento que impunha limites às armas nucleares estratégicas das duas maiores potências do mundo
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O tratado que restringia os arsenais nucleares dos Estados Unidos e da Rússia expira nesta quinta-feira (5), encerrando o último grande acordo bilateral de controle de armas nucleares ainda em vigor. Conhecido como New Start, o pacto estabelecia limites rigorosos para ogivas estratégicas e previa mecanismos de fiscalização mútua, considerados essenciais para a estabilidade e a previsibilidade no cenário de segurança global.

O que era o tratado New Start

Assinado em 2010, o New Strategic Arms Reduction Treaty, conhecido como New Start, foi criado com o objetivo de reduzir e limitar as armas nucleares estratégicas de Washington e Moscou. O acordo determinava que cada país poderia manter no máximo 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 700 vetores de lançamento, incluindo mísseis balísticos intercontinentais, mísseis lançados por submarinos e bombardeiros de longo alcance.

Além dos limites numéricos, o tratado previa inspeções presenciais, troca de dados técnicos e notificações regulares entre as duas potências, criando um ambiente de maior transparência e reduzindo o risco de erros de cálculo ou interpretações equivocadas.

O papel dos Estados Unidos no controle de armas

Ao longo das últimas décadas, os Estados Unidos tiveram papel central na construção de acordos internacionais voltados à redução de riscos nucleares. O New Start é frequentemente citado por especialistas como exemplo da estratégia americana de combinar capacidade de dissuasão com responsabilidade global, buscando evitar uma nova corrida armamentista.

Mesmo em um cenário de tensões geopolíticas crescentes, Washington manteve o cumprimento integral do tratado até sua expiração, reforçando sua posição como ator comprometido com regras internacionais, fiscalização verificável e estabilidade estratégica.

O que são armas nucleares estratégicas

As armas nucleares estratégicas são projetadas para atingir alvos a longas distâncias e possuem poder destrutivo suficiente para devastar grandes centros urbanos. Elas se diferenciam das armas nucleares táticas, que têm alcance mais limitado e são pensadas para uso em cenários de combate regional.

Especialistas alertam que esse tipo de armamento representa a maior ameaça existencial à humanidade, o que torna os mecanismos de controle e limitação fundamentais para a segurança global.

Dissuasão e equilíbrio de forças

O limite de 1.550 ogivas foi definido com base no conceito de dissuasão nuclear, também conhecido como “destruição mútua assegurada”. A lógica é garantir que nenhum país consiga eliminar completamente o arsenal do outro em um primeiro ataque, o que desencorajaria o uso dessas armas, já que qualquer ofensiva resultaria em retaliação devastadora.

Esse equilíbrio é apontado por analistas como um dos principais fatores que impediram o uso de armas nucleares em conflitos diretos entre grandes potências desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O que muda com o fim do acordo

Com a expiração do New Start, Estados Unidos e Rússia deixam de estar legalmente obrigados a respeitar limites formais para seus arsenais nucleares estratégicos ou a permitir inspeções recíprocas. Isso reduz significativamente a transparência entre as duas maiores potências nucleares do mundo.

Autoridades russas chegaram a sinalizar que poderiam seguir algumas regras de maneira informal, mas especialistas ressaltam que, sem mecanismos de verificação, esses compromissos não oferecem garantias concretas. Do lado americano, a posição tem sido a de que qualquer novo acordo precisa ser baseado em fiscalização confiável e respeito às normas internacionais.

Impactos para a segurança global

O fim do tratado marca a dissolução do último grande acordo bilateral de controle nuclear ainda vigente. Analistas alertam que a ausência de limites claros pode incentivar a ampliação de arsenais, elevar gastos militares e aumentar o risco de instabilidade estratégica.

Para os Estados Unidos, o cenário representa um desafio estratégico: manter uma dissuasão eficaz, proteger seus aliados e, ao mesmo tempo, buscar novos caminhos diplomáticos que preservem a segurança internacional e evitem uma escalada nuclear descontrolada.

Um momento decisivo

Embora a expiração do tratado não signifique um aumento imediato de arsenais, ela inaugura um período de maior incerteza. Especialistas avaliam que a liderança americana continuará sendo decisiva na construção de futuros acordos e na defesa de um sistema internacional baseado em previsibilidade, transparência e redução de riscos.

O fim do New Start encerra um capítulo importante da diplomacia nuclear, mas também reforça a necessidade de novos esforços para garantir que o equilíbrio estratégico global seja preservado.

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