Foro Penal informa que 568 pessoas continuam detidas por motivos políticos e milhares ainda enfrentam restrições desde 2014
Por Ana Raquel| GNEWSUSA
A Venezuela segue atravessando uma grave crise de direitos humanos, com 568 pessoas detidas por motivos políticos até 25 de fevereiro, segundo levantamento da organização venezuelana de direitos humanos Foro Penal. Entre os detidos, 13 têm paradeiro desconhecido, o que evidencia a falta de transparência e o caráter arbitrário do regime chavista.
De acordo com o relatório da ONG, 505 dos presos são homens e 63 mulheres, a maioria civis, enquanto 182 são militares. Apenas um adolescente, entre 14 e 17 anos, permanece detido, contra 567 adultos, e 52 detidos possuem nacionalidade estrangeira. Do total, 179 já foram condenados, enquanto 392 aguardam julgamento, muitos sem acesso a um processo justo.
Libertações pontuais não resolvem problema estrutural
Apesar de uma lei de anistia aprovada recentemente, que o governo afirma ter beneficiado mais de 3.000 detidos, a Foro Penal alerta que centenas permanecem presos ou sob medidas arbitrárias de restrição de liberdade. Na última semana, a ONG registrou uma nova prisão e 126 libertações, mostrando que o regime continua operando com padrão de repressão seletiva.
“Os números mostram que a liberdade é concedida de forma irregular, enquanto outros cidadãos continuam sofrendo prisão injusta, muitas vezes por exercer direitos políticos e civis básicos”, destacou a organização.
Contexto histórico: repressão sistemática
Desde 2014, 18.944 detenções políticas foram contabilizadas na Venezuela, com a Foro Penal prestando assistência gratuita a mais de 14 mil dessas pessoas, que hoje estão em liberdade. Apesar disso, mais de 11 mil venezuelanos seguem submetidos a restrições arbitrárias, incluindo prisão domiciliar, monitoramento constante e processos judiciais fraudulentos.
O relatório completo foi enviado à Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, buscando verificação internacional e pressão sobre o regime para respeitar direitos básicos.
Conclusão
O quadro evidencia que a Venezuela segue sob um governo que utiliza a Justiça como instrumento de perseguição política, violando direitos humanos e mantendo um sistema de detenção arbitrária que afeta civis, militares e estrangeiros. Para analistas internacionais, a situação é um alerta sobre a necessidade de pressão externa e responsabilização de autoridades que seguem operando com impunidade.
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