Água subterrânea de 12 mil anos pode estar ligada a menor risco de Parkinson, aponta estudo

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Pesquisa apresentada em congresso internacional de neurologia sugere que águas mais antigas e profundas podem conter menos contaminantes ambientais associados à doença
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A origem da água consumida diariamente pode ter mais impacto na saúde neurológica do que se imaginava. Um estudo científico apresentado em 2026 durante a reunião anual da American Academy of Neurology identificou uma associação entre o tipo e a idade da água subterrânea consumida por populações e o risco de desenvolver Doença de Parkinson. A pesquisa analisou dados de mais de 1,2 milhão de pessoas nos Estados Unidos e constatou que indivíduos abastecidos por águas subterrâneas mais recentes apresentaram maior probabilidade de desenvolver a doença em comparação com aqueles que consumiam água proveniente de aquíferos glaciais formados há mais de 12 mil anos. Os cientistas ressaltam, porém, que os resultados indicam apenas uma associação estatística, e não uma relação direta de causa e efeito.

Estudo analisou mais de 1,2 milhão de pessoas

A pesquisa foi conduzida por cientistas ligados ao Barrow Neurological Institute e liderada pela pesquisadora Brittany Krzyzanowski, do Atria Research Institute.

O trabalho comparou 12.370 pessoas diagnosticadas com Parkinson com um grupo de controle formado por mais de 1,2 milhão de indivíduos sem a doença.

Todos os participantes viviam próximos a 1.279 pontos de monitoramento de águas subterrâneas distribuídos em 21 grandes aquíferos nos Estados Unidos. Os pesquisadores cruzaram essas informações com dados sobre o tipo de aquífero, a idade estimada da água e a forma de abastecimento — sistemas municipais ou poços privados.

O objetivo era investigar se a água consumida poderia funcionar como um indicador indireto de exposição a contaminantes ambientais associados ao desenvolvimento de doenças neurológicas.

Diferença de risco entre tipos de aquíferos

Os resultados indicaram diferenças importantes entre os tipos de reservatórios subterrâneos.

Pessoas que consumiam água proveniente de aquíferos carbonáticos, compostos principalmente por rochas calcárias e mais suscetíveis à infiltração de poluentes, apresentaram:

  • 24% mais risco de desenvolver Parkinson em comparação com outros tipos de aquíferos;

  • 62% mais risco quando comparadas especificamente a populações abastecidas por aquíferos glaciais, formados durante a última era do gelo.

Entre os participantes diagnosticados com Parkinson:

  • 3.463 consumiam água de aquíferos carbonáticos;

  • 515 de aquíferos glaciais;

  • 8.392 de outros tipos de reservatórios subterrâneos.

Já no grupo sem a doença, os números foram muito maiores, mas com proporções semelhantes entre as fontes de abastecimento.

A importância da idade da água subterrânea

Outro fator analisado pelos cientistas foi a idade da água subterrânea.

Águas consideradas “recentes”, formadas por precipitações ocorridas nos últimos 70 a 75 anos, apresentaram associação com maior risco da doença quando comparadas a águas muito mais antigas — algumas com mais de 12 mil anos, originadas no final da última era glacial.

Nos sistemas carbonáticos, cada aumento na idade da água subterrânea esteve relacionado a uma redução aproximada de 6,5% no risco de Parkinson, segundo o modelo estatístico utilizado pelos pesquisadores.

Quando comparadas diretamente, águas recentes apresentaram 11% mais risco associado à doença em relação às águas glaciais antigas.

Poluição ambiental pode explicar a diferença

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores envolve a exposição a contaminantes ambientais.

Águas subterrâneas mais recentes tendem a estar mais expostas a atividades humanas modernas, como agricultura intensiva, uso de pesticidas, resíduos industriais e outros poluentes. Já as águas muito antigas normalmente estão em camadas mais profundas, protegidas por sedimentos e formações geológicas que atuam como filtros naturais.

Segundo a pesquisadora Brittany Krzyzanowski, a água potável pode funcionar como um indicador indireto da exposição da população à poluição ambiental contemporânea.

Resultados ainda são preliminares

Apesar dos números expressivos, os próprios cientistas alertam que o estudo não prova que o consumo de água mais recente causa Parkinson. O trabalho identifica apenas uma correlação estatística entre os fatores analisados.

Entre as limitações da pesquisa está o fato de que os cientistas estimaram a fonte de água consumida pelos participantes com base na proximidade de suas residências aos pontos de monitoramento, o que pode não refletir exatamente o abastecimento real de cada pessoa.

Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que compreender a relação entre qualidade da água, poluição ambiental e doenças neurológicas pode ajudar a orientar políticas públicas de saúde e gestão de recursos hídricos no futuro.

O estudo sugere que a idade e o tipo de aquífero que abastece sistemas de água podem estar associados ao risco de Parkinson. Águas subterrâneas mais antigas, como as provenientes de aquíferos glaciais formados há mais de 12 mil anos, parecem estar menos ligadas à doença — possivelmente por apresentarem menor exposição a poluentes modernos. No entanto, especialistas destacam que são necessárias novas pesquisas para confirmar essa relação e entender melhor os mecanismos envolvidos.

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