Nova versão pediátrica da tafenoquina começa a ser distribuída em territórios indígenas da Amazônia para ampliar o controle da doença
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
O Brasil deu um passo histórico no combate à malária ao iniciar, pelo sistema público de saúde, um tratamento inovador voltado ao público infantil. O Ministério da Saúde do Brasil começou a distribuir no Sistema Único de Saúde (SUS) a tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para crianças com peso entre 10 kg e 35 kg. Com a iniciativa, o país se torna o primeiro do mundo a oferecer essa versão do medicamento para crianças na rede pública de saúde.
A medida busca ampliar o enfrentamento da malária no país, especialmente porque crianças representam cerca de 50% dos casos registrados da doença. O primeiro lote do medicamento está sendo direcionado prioritariamente para territórios indígenas da região amazônica, onde a incidência da doença permanece elevada.
Distribuição começa por territórios indígenas
Nesta primeira etapa, o governo federal prevê a distribuição de 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica, com investimento aproximado de R$ 970 mil. A entrega começou de forma gradual no início de março e tem como foco áreas com maior número de casos.
Entre as regiões prioritárias estão os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI):
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Território Yanomami
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Alto Rio Negro
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Rio Tapajós
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Manaus
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Vale do Javari
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Médio Rio Solimões e Afluentes
Esses territórios concentram aproximadamente metade dos casos de malária entre crianças e adolescentes de até 15 anos. O primeiro local a receber o medicamento será o território Yanomami, com a entrega inicial de 14.550 comprimidos.
Segundo o secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, a estratégia busca levar terapias mais eficazes e simples para as regiões mais vulneráveis.
Dose única facilita tratamento
Uma das principais vantagens da nova formulação é que o tratamento é realizado em dose única, o que representa um avanço importante na adesão ao tratamento.
Até então, o esquema terapêutico disponível exigia medicação diária por até 14 dias, o que frequentemente dificultava a continuidade do tratamento, especialmente em regiões remotas e entre crianças.
Com a nova formulação, o medicamento oferece:
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maior facilidade de administração
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maior adesão ao tratamento
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eliminação completa do parasita
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redução do risco de recaídas da doença
A dose também pode ser ajustada conforme o peso da criança, garantindo maior precisão terapêutica.
Combate ao principal tipo de malária no Brasil
A tafenoquina é indicada principalmente para tratar infecções causadas pelo Plasmodium vivax, o protozoário responsável por mais de 80% dos casos de malária registrados no Brasil.
A incorporação da versão pediátrica ao SUS foi oficializada em setembro de 2025, após avaliação técnica e registro do medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
De acordo com a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Batista Galvão Simão, ampliar o acesso ao tratamento nas áreas mais afetadas é essencial para reduzir a transmissão da doença.
Segundo ela, quanto maior a cobertura terapêutica nas comunidades vulneráveis, maior a possibilidade de diminuir significativamente o número de infecções.
Treinamento de profissionais de saúde
Para garantir o uso seguro do novo medicamento, o Ministério da Saúde iniciou oficinas de capacitação para profissionais de saúde que atuam nos distritos sanitários indígenas.
Nesta primeira fase, 250 profissionais serão treinados para aplicar corretamente o tratamento e acompanhar os pacientes.
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da assistência médica em áreas remotas, incluindo ampliação de equipes, contratação de especialistas e reforço das ações de vigilância epidemiológica.
Amazônia concentra maior desafio
A malária continua sendo um dos principais desafios de saúde pública na Amazônia, especialmente em comunidades isoladas e territórios indígenas.
Nessas regiões, fatores como dificuldade de acesso aos serviços de saúde, condições ambientais favoráveis ao mosquito transmissor e vulnerabilidade social aumentam o risco de transmissão da doença.
Nos últimos anos, o governo federal tem ampliado ações como:
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distribuição de testes rápidos de diagnóstico
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entrega de mosquiteiros impregnados com inseticida
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reforço das equipes de vigilância epidemiológica
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intensificação do monitoramento da doença
Queda nos casos e mortes
Apesar dos desafios, os indicadores recentes mostram avanços no controle da doença.
Em 2025, o Brasil registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com redução de 15% em relação ao ano anterior. Entre populações indígenas, a queda foi de 16%.
Também houve redução de 30% nos casos causados pelo Plasmodium falciparum, espécie responsável pelas formas mais graves da doença.
No território Yanomami, dados entre 2023 e 2025 apontam:
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aumento de 103,7% na realização de testes de diagnóstico
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crescimento de 116,6% no número de diagnósticos realizados
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redução de 70% nas mortes provocadas pela doença
Com a introdução da tafenoquina pediátrica, especialistas avaliam que o país dá mais um passo importante para interromper a transmissão da malária e reduzir os impactos da doença entre crianças, especialmente nas áreas mais vulneráveis da Amazônia.
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