Caminhoneiros adiam decisão sobre greve após Lula endurecer regras e pressionar o setor

Categoria volta a se reunir em 7 dias para avaliar paralisação diante de medidas de Lula que elevam custos e aumentam a incerteza no transporte

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A ameaça de uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros foi temporariamente suspensa após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicar uma medida provisória que endurece as regras do transporte rodoviário de cargas. Em reunião realizada nesta quinta-feira (19), lideranças da categoria decidiram adiar por pelo menos sete dias qualquer decisão sobre greve, enquanto avaliam os efeitos das novas exigências.

O ponto central da medida é o endurecimento das punições, com previsão de multas que podem chegar a até R$ 10 milhões por operação em caso de descumprimento do piso do frete — o que aumenta significativamente a pressão sobre transportadores e empresas.

O recuo da categoria, no entanto, não representa um acordo. Representantes de diferentes regiões do país demonstram desconfiança em relação às mudanças, avaliando que a medida amplia o controle do governo sobre o setor e pode gerar mais dificuldades operacionais.

Além das multas elevadas, o governo determinou a obrigatoriedade do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) para todas as operações de frete. O sistema funcionará como um registro digital completo, reunindo dados sobre contratante, transportador, carga, trajeto e valor pago.

Na prática, se o valor do frete estiver abaixo do piso mínimo, o sistema bloqueará automaticamente a operação — impedindo que o transporte seja realizado.

O CIOT também será integrado ao MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais), permitindo o cruzamento de informações com a Receita Federal e fiscos estaduais, ampliando o monitoramento sobre o setor.

A decisão de adiar a greve foi confirmada por Wallace Landim, presidente da Abrava. Segundo ele, houve um avanço inicial, mas a categoria ainda pretende negociar mudanças importantes.

Entre as principais reivindicações está a isenção de pedágios para caminhoneiros que retornam com o caminhão vazio após a entrega da carga, medida considerada essencial para reduzir custos.

Uma nova rodada de negociações deve ocorrer na próxima semana, incluindo reunião com o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Apesar do adiamento, lideranças deixam claro que a greve não está descartada e pode ser retomada caso o governo não ceda às pressões da categoria.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que a medida provisória aumenta a burocracia e reforça a intervenção estatal, sem resolver problemas estruturais enfrentados pelos caminhoneiros, como o alto custo do diesel e a falta de previsibilidade no setor.

O cenário segue de tensão, e o impasse entre governo e caminhoneiros ainda está longe de uma solução definitiva.

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