Pesquisa internacional indica que atividade combina estímulo cognitivo e movimento físico, fatores-chave na proteção do cérebro
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Preparar a própria comida pode ir muito além de um hábito saudável ou afetivo. Um estudo publicado na revista científica Journal of Epidemiology & Community Health aponta que cozinhar em casa pelo menos uma vez por semana está associado à redução do risco de demência entre idosos — chegando a até 70% entre aqueles com pouca experiência na cozinha.
A pesquisa analisou a rotina de pessoas mais velhas e identificou que o hábito de cozinhar regularmente está ligado a uma menor incidência de declínio cognitivo. Entre os participantes em geral, a redução do risco foi de cerca de 30%. Já entre os idosos que começaram a cozinhar mais tarde ou tinham menos habilidades culinárias, o impacto foi ainda mais expressivo.
Segundo os pesquisadores, dois fatores principais ajudam a explicar os resultados: o estímulo cognitivo e a atividade física envolvidos no preparo das refeições.
Cozinhar exige planejamento, atenção, memória e tomada de decisões — funções diretamente relacionadas à saúde cerebral. Para iniciantes, o desafio é ainda maior, o que pode contribuir para o fortalecimento da chamada “reserva cognitiva”, mecanismo associado à proteção contra doenças neurodegenerativas, como a demência.
Além disso, a atividade também envolve movimento físico. Tarefas como fazer compras, cortar ingredientes e permanecer em pé durante o preparo aumentam o nível de atividade diária. De acordo com o estudo, quando esses fatores foram considerados separadamente, a associação entre cozinhar e menor risco de demência diminuiu — indicando que o componente físico também desempenha papel relevante.
Os autores destacam que os achados são consistentes com pesquisas anteriores que relacionam atividades produtivas e engajamento mental à redução do risco de declínio cognitivo. No entanto, ressaltam que esta é uma das primeiras análises a estabelecer uma ligação direta entre cozinhar e a prevenção da demência.
Especialistas apontam que, embora o estudo não comprove causalidade, os resultados reforçam recomendações amplamente aceitas na área da saúde: manter-se ativo física e mentalmente é essencial para o envelhecimento saudável.
Além dos possíveis benefícios neurológicos, cozinhar em casa também tende a favorecer uma alimentação mais equilibrada, com maior presença de alimentos in natura, como grãos, legumes e proteínas — outro fator que pode contribuir indiretamente para a saúde do cérebro.
Diante do envelhecimento populacional e do aumento global de casos de demência, iniciativas simples do dia a dia, como preparar a própria refeição, ganham relevância como estratégias acessíveis de promoção da saúde.
O estudo reforça uma mensagem clara: pequenas mudanças na rotina podem ter impactos significativos a longo prazo — especialmente quando combinam movimento, aprendizado e autonomia.
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