De Faxineira em Boston a Foragida por Homicídio no Brasil: O Rastro de Crimes de “Kelly” Cristian

GNEWS USA trás informações exclusivas da mulher que trabalhava como faxineira na região de Boston mas é procurada pela Justiça brasileira por participação em homicídio qualificado ocorrido no Espírito Santo.

Uma investigação jornalística conduzida pelo repórter investigativo Thathyanno Desa revelou que a mulher que trabalhava como faxineira na região da Grande Boston, nos Estados Unidos, é na verdade uma foragida da Justiça brasileira acusada de participação em homicídio qualificado.

A mulher se apresentava como “Kelly Cristian”, mas seu verdadeiro nome é Kele Cristian Alves Pereira, contra quem pesa um mandado de prisão preventiva com validade até 2040. Ela é denunciada por participação na execução de Vanda Derli Rangel Teixeira, conhecida como “Rita”, morta a tiros em 2017, no município de Cariacica, no Espírito Santo. 

Segundo o representante, a funcionária suspeita era justamente Kelly Cristian, contratada como helper freelancer para trabalhos de limpeza. O contratante afirma que a mulher demonstrava ser uma profissional dedicada e que, inicialmente, não havia motivos aparentes para desconfiança.

No entanto, no dia 2 de janeiro de 2026, uma cliente relatou o desaparecimento de cartões American Express logo após um serviço realizado pela funcionária. Pouco tempo depois, começaram a surgir registros de compras não autorizadas realizadas em um supermercado frequentado pela comunidade brasileira.

Os comprovantes indicavam gastos em um estabelecimento chamado Mineirão Market. Um dos registros mostra uma compra de aproximadamente 500 dólares, enquanto outro comprovante aponta uma transação de cerca de 150 dólares. A vítima, entretanto, afirma que o prejuízo total chegou a 2.500 dólares.

De acordo com a apuração jornalística do GNEWS USA, a mulher registrada nas compras era a mesma funcionária suspeita.

Ao aprofundar a investigação sobre a identidade da suspeita, o jornalista descobriu que o nome “Kelly Cristian” era uma variação usada para ocultar a verdadeira identidade de Kele Cristian Alves Pereira, que possui histórico criminal no Brasil e é procurada pela Justiça internacional, INTERPOL.

Confrontada com as evidências reunidas durante a investigação, Kele acabou confessando o furto dos cartões de crédito. Durante a conversa com o repórter, ela também demonstrou desespero e tentou impedir a continuidade da investigação.

Em mensagens enviadas ao jornalista, ela afirmou que poderia tirar a própria vida caso o caso fosse levado adiante. Em uma das mensagens, escreveu: “Já está aqui para qualquer atitude que vocês tomarem contra mim. Vão encontrar só o meu corpo.”

Mesmo diante da tentativa de pressão emocional, a investigação seguiu. Após confirmar a identidade da suspeita e sua condição de foragida da Justiça brasileira, o repórter acionou autoridades federais norte-americanas, incluindo a HSI (Homeland Security Investigations).

A descoberta revelou também que Kele não estava sozinha nos Estados Unidos. Fontes próximas ao casal informaram que ela vive no país ao lado de Randerles Neves de Oliveira, também procurado pela Justiça brasileira e conhecido pelo apelido “Rantaro”.

Segundo essas fontes, Randerles estaria utilizando nos Estados Unidos o nome “Jhonatas Guedes”, em uma tentativa de ocultar sua identidade. O casal teria sido visto junto no país em 25 de dezembro de 2025.

O crime que levou à fuga

De acordo com denúncia do Ministério Público do Estado do Espírito Santo, o crime ocorreu em 7 de agosto de 2017, por volta das 11h30, na Rua General Osório, em frente a uma igreja católica no bairro Santa Luzia, em Cariacica.

Na ocasião, a vítima Vanda Derli Rangel Teixeira, conhecida como Rita, foi atraída ao local após negociar a compra de um veículo com Randerles Neves de Oliveira.

Segundo a investigação, parte do valor do carro havia sido paga antecipadamente. O restante seria entregue no momento da entrega do veículo. A divergência sobre as condições do pagamento teria gerado insatisfação entre os envolvidos.

No dia combinado para a entrega do carro, a vítima foi até o local previamente marcado acompanhada de três conhecidos. Ao perceber que o veículo não estava estacionado na rua indicada, decidiu ligar para Randerles para obter informações.

Quem atendeu o telefone foi Kele Cristian Alves Pereira. De acordo com a denúncia do Ministério Público, ela afirmou que o carro estava no local combinado e orientou a vítima a aguardar mais alguns minutos.

Enquanto a vítima permanecia no local, Randerles Neves de Oliveira, Renan Neves Santos e um terceiro indivíduo não identificado se aproximaram a pé. Os dois acusados estavam armados.

Nesse momento, foram efetuados disparos de arma de fogo contra a vítima, que sofreu ferimentos graves descritos posteriormente no laudo de exame cadavérico. Vanda chegou a ser socorrida e levada a atendimento hospitalar, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

De acordo com o Ministério Público, Kele participou da ação criminosa ao manter contato telefônico com a vítima e garantir que ela permanecesse no local da emboscada, contribuindo para que a execução fosse realizada.

Denúncia e acusação

O Ministério Público denunciou Randerles Neves de Oliveira, Renan Neves Santos e Kele Cristian Alves Pereira por homicídio qualificado, com base no artigo 121, §2º, incisos II e IV do Código Penal.

A acusação sustenta que o crime foi praticado por motivo fútil, relacionado à disputa financeira envolvendo a venda do veículo, e também mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, já que o ataque ocorreu de forma repentina enquanto ela aguardava a entrega do carro.

A denúncia foi apresentada pela promotora Paula Moraes Ribeiro de Freitas, da 15ª Promotoria de Justiça Criminal de Cariacica.

O Ministério Público também solicitou a prisão preventiva dos acusados, argumentando que há indícios de envolvimento do grupo em outros crimes graves e que a liberdade dos denunciados poderia representar risco à ordem pública e às testemunhas do processo.

Processo judicial e fuga de Randerles da Penitenciária de Segurança Máxima de Ponte Nova

O caso tramita na 4ª Vara Criminal – Tribunal do Júri da Comarca de Cariacica, no Espírito Santo.

Em documentos judiciais, o magistrado responsável manteve o recebimento da denúncia contra os acusados Randerles Neves de Oliveira e Renan Neves Santos, determinando o prosseguimento do processo para instrução e julgamento. 

No caso de Kele Cristian Alves Pereira, foi determinada citação por edital, uma vez que a acusada não foi localizada pelas autoridades brasileiras.

Em 2024, a unidade prisional  de Ponte Nova, também registrou um episódio de fuga que ampliou as críticas sobre a segurança interna do presídio.  De acordo com informações preliminares dos jornais locais, na época, o preso Randerles teria deixado a área de custódia sem ser imediatamente interceptado, o que mobilizou equipes da Polícia Penal e forças de segurança da região para iniciar buscas. O caso reforçou as denúncias recorrentes sobre desorganização administrativa e fragilidade no sistema de vigilância da unidade, que já vinha sendo apontada por familiares e internos como palco de sucessivos episódios de tensão e irregularidades.

Situação atual

Atualmente, Kele Cristian Alves Pereira e Randerles Neves de Oliveira permanecem foragidos da Justiça brasileira, vivendo sob identidades alternativas nos Estados Unidos.

A descoberta da identidade da suspeita, resultado da investigação conduzida pelo repórter Thathyanno Desa, pode agora abrir caminho para cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas, com eventual adoção de medidas para localização e prisão dos acusados.

Processo principal:
0013000-42.2017.8.08.0012 – Tribunal do Júri de Cariacica/ES

Carta Precatória Criminal:
5016828-22.2023.8.13.0105 – 2ª Vara Criminal de Governador Valadares/MG

Denúncia oferecida em: 19 de junho de 2020
Promotoria: 15ª Promotoria de Justiça Criminal de Cariacica – ES

Cronologia do Caso

07 de outubro de 2016
Kele Cristian Alves Pereira passa a ser vinculada a uma investigação por tentativa de homicídio com arma de fogo no Brasil.

07 de agosto de 2017
Ocorre o homicídio de Vanda Derli Rangel Teixeira, conhecida como “Rita”, em Cariacica, Espírito Santo. A vítima foi atraída para uma falsa negociação de venda de veículo e executada a tiros.

19 de junho de 2020
O Ministério Público do Estado do Espírito Santo oferece denúncia contra Kele Cristian Alves Pereira, Randerles Neves de Oliveira (vulgo “Rantaro”) e Renan Neves Santos por homicídio qualificado, com base nos incisos II (motivo fútil) e IV (recurso que dificultou a defesa da vítima) do §2º do artigo 121 do Código Penal.

01 de março de 2021
É expedido mandado de prisão preventiva contra Kele Cristian Alves Pereira, com validade até o ano de 2040.

19 de novembro de 2025
Usando o nome “Kelly Cristian”, Kele passa a trabalhar como helper (faxineira freelancer) na região de Boston, Estados Unidos.

25 de dezembro de 2025
Fontes relatam que Kele foi vista nos Estados Unidos ao lado do marido, identificado como Randerles Neves de Oliveira, que utilizava o pseudônimo “Jhonatas Guedes”.

02 de janeiro de 2026
Durante um serviço de limpeza, Kele rouba cartões American Express de uma cliente e realiza compras em um supermercado brasileiro em Massachusetts.

Janeiro de 2026
A investigação do repórter investigativo Thathyanno Dessa, iniciada a pedido da vítima do furto, revela que a suspeita do crime patrimonial era também foragida da Justiça brasileira por homicídio.

A redação permanece à disposição para esclarecimentos e recebimento de novas informações relacionadas ao caso. Fontes, testemunhas ou pessoas que possuam dados relevantes podem entrar em contato diretamente com a equipe de reportagem pelo telefone 617-970-8850. O atendimento é realizado pelo repórter responsável pela investigação do caso, Thathyanno Desa. 📞📰

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*