Operação mobiliza mais de 75 mil agentes e amplia cooperação internacional contra cartéis e o crime organizado
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O governo do Equador iniciou uma ampla ofensiva contra o crime organizado em diferentes regiões do país, mobilizando um contingente superior a 75 mil policiais e militares em uma das maiores operações de segurança da história recente da nação. A ação conta com apoio direto dos Estados Unidos e faz parte de uma nova estratégia internacional de enfrentamento aos cartéis de drogas que atuam na região.
A iniciativa representa a primeira grande operação da aliança internacional contra o crime organizado, um bloco formado por 17 países e lançado neste mês pelo presidente americano Donald Trump. A proposta da coalizão é ampliar a cooperação militar, policial e de inteligência para enfrentar o avanço do narcotráfico e de organizações criminosas transnacionais na América Latina.
Operação mobiliza tropas, blindados e helicópteros
Segundo o ministro do Interior equatoriano, John Reimberg, as forças de segurança foram mobilizadas para atuar em quatro províncias consideradas estratégicas para o tráfico de drogas, onde grupos criminosos têm ampliado sua presença nos últimos anos.
Além do grande efetivo humano, a operação conta com:
• Veículos blindados
• Helicópteros militares
• Drones de monitoramento
• Unidades especiais de investigação
Como parte das medidas emergenciais, o governo decretou toque de recolher noturno por quinze dias, válido a partir deste domingo, nas áreas consideradas mais críticas.
De acordo com Reimberg, o Estado adotará uma postura firme e sem concessões contra o crime organizado.
“Estamos em guerra contra a criminalidade. As forças de segurança foram instruídas a utilizar o uso necessário e progressivo da força contra grupos criminosos e suas estruturas financeiras”, afirmou o ministro.
Polícia nacional amplia ofensiva contra o narcoterrorismo
O comandante da Polícia Nacional, general Pablo Dávila, informou que todas as unidades especializadas e de inteligência foram mobilizadas para a operação.
Segundo ele, a ofensiva faz parte de uma nova etapa da guerra contra o chamado narcoterrorismo, estratégia anunciada em 2024 pelo presidente do país, Daniel Noboa, diante da escalada da violência provocada por organizações criminosas.
Dávila destacou que o diferencial desta fase da operação é a cooperação internacional ampliada, especialmente com os Estados Unidos, que passaram a colaborar com ações militares e de inteligência.
Operações conjuntas já destruíram campo de treinamento
Antes mesmo do início oficial da megaoperação, forças americanas e equatorianas já realizaram ações conjuntas contra grupos armados ligados ao narcotráfico.
Entre as operações recentes está o bombardeio e destruição de um campo de treinamento pertencente aos Comandos de Fronteira, grupo dissidente ligado às antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que atua em áreas de fronteira e mantém vínculos com redes de tráfico internacional.
Essas organizações foram classificadas pelas autoridades como estruturas terroristas que financiam suas atividades por meio do narcotráfico, extorsão e sequestros.
Imprensa é impedida de acompanhar operações
Para preservar o sigilo das ações e evitar vazamentos que possam favorecer criminosos, o governo equatoriano decidiu restringir o acesso da imprensa às operações policiais e militares durante os próximos dias.
A decisão ocorre em meio a um cenário considerado crítico de segurança pública no país.
Recorde histórico de homicídios
O endurecimento da política de segurança ocorre após o Equador registrar 9.235 homicídios em 2025, o maior número de assassinatos já registrado na história do país.
Nos últimos anos, o país sul-americano passou a enfrentar uma forte expansão do narcotráfico, impulsionada pela atuação de cartéis internacionais que utilizam o território equatoriano como rota estratégica para o envio de drogas à América do Norte e à Europa.
Estratégia internacional liderada por Trump
O presidente Donald Trump tem defendido uma postura mais dura contra organizações criminosas que atuam na América Latina, incluindo a possibilidade de ações militares coordenadas contra grupos classificados como narcoterroristas.
Recentemente, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que Washington está preparado para ampliar operações contra organizações criminosas na região e pediu maior cooperação dos países latino-americanos.
Facções brasileiras também entram no radar
Dentro dessa estratégia, o governo americano também avalia classificar facções brasileiras como organizações terroristas internacionais, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho.
A medida tem gerado preocupação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acompanha de perto os possíveis impactos diplomáticos e jurídicos dessa classificação.
Caso a designação seja confirmada, os Estados Unidos poderão aplicar sanções financeiras internacionais e ampliar operações de combate contra essas organizações, inclusive com cooperação direta com forças de segurança de outros países.
Novo capítulo na guerra contra o crime organizado
A megaoperação iniciada no Equador sinaliza um novo momento no enfrentamento ao narcotráfico na América Latina, marcado por maior integração entre governos e forças de segurança.
Para analistas de segurança, a cooperação internacional pode representar um passo decisivo para enfraquecer cartéis e facções que dominam rotas estratégicas do tráfico de drogas na região.
Enquanto isso, o Equador tenta recuperar o controle de áreas dominadas por organizações criminosas e conter uma escalada de violência que transformou o país em um dos principais focos de tensão na segurança pública da América do Sul.
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