Fachin cobra união contra crime organizado e reconhece falhas no Judiciário

Presidente do CNJ alerta para avanço de facções, defende ação conjunta do Estado e critica fragilidades no sistema prisional

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira (23) que o avanço do crime organizado no Brasil exige uma resposta articulada entre as instituições públicas. Segundo ele, o enfrentamento às facções criminosas deve ser tratado como uma “questão de Estado”.

A declaração foi feita durante a abertura do Encontro Nacional sobre os Desafios do Poder Judiciário ante o Crime Organizado, realizado em Brasília, reunindo autoridades e especialistas para discutir medidas de combate às organizações criminosas.

Reconhecimento do avanço das facções

Durante o discurso, Fachin reconheceu que as facções criminosas estão mais estruturadas, organizadas e tecnologicamente avançadas, ampliando sua atuação em diversas regiões do país.

Ele destacou o uso de tecnologias digitais e criptoativos para lavagem de dinheiro, além de práticas como intimidação de testemunhas e corrupção de agentes públicos, o que dificulta ainda mais o combate por parte do Estado.

Pacto institucional e ações regionalizadas

Fachin defendeu a criação de um pacto interinstitucional entre Judiciário, Ministério Público e forças de segurança, com foco em ações coordenadas e mais eficientes.

Apesar disso, ressaltou que não existe uma solução única, já que o Brasil possui realidades diferentes em cada região.

As estratégias, segundo ele, precisam ser adaptadas à diversidade do país.

Crítica à ineficiência do sistema

Em um dos trechos mais fortes, o ministro afirmou que:

“Sem um Judiciário eficiente, a investigação não se completa, a condenação não se sustenta e a recuperação de ativos não se consolida.”

A declaração evidencia uma crítica direta à morosidade e às falhas estruturais do sistema judicial, frequentemente apontadas como entraves no combate ao crime organizado.

Medidas defendidas pelo ministro

Entre as propostas apresentadas, destacam-se:

• Maior especialização do Judiciário no combate às facções

• Uso intensivo de investigação digital e inteligência financeira

• Fortalecimento da análise patrimonial para rastrear recursos ilícitos

• Capacitação de magistrados e servidores

• Desmembramento de processos complexos para acelerar julgamentos

Leitura política: cobrança por ações concretas

A fala ocorre em meio ao aumento da pressão por respostas mais duras contra o crime organizado. O próprio reconhecimento do avanço das facções expõe falhas do Estado ao longo dos anos, o que intensifica o debate sobre a efetividade das políticas de segurança pública.

A defesa de um pacto nacional pode indicar uma tentativa de reação institucional, mas também levanta questionamentos sobre por que medidas mais firmes não foram adotadas antes, diante do crescimento dessas organizações no país.

Leia mais

Imigrantes ilegais foragidos do México são presos pela Patrulha Fronteira dos Estados Unidos

CPMI do INSS entra na reta final e aguarda decisão do STF sobre prorrogação dos trabalhos

Vacina contra o HPV em dose única avança no Brasil e pode acelerar o fim do câncer de colo do útero

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*