Fabiano Zettel foi convocado a depor, mas não é mais obrigado a comparecer por decisão de André Mendonça
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) anunciou nesta terça-feira, 3 de março de 2026, que pretende protocolar na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado um pedido de quebra de sigilo de Fabiano Campos Zettel, apontado como um dos nomes centrais da segunda fase da operação “Compliance Zero”, conduzida pela Polícia Federal.
Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A ligação familiar colocou seu nome sob maior atenção no contexto das investigações que apuram possíveis irregularidades no sistema financeiro e eventuais conexões com esquemas mais amplos.
Decisão do STF muda cenário da CPI
Inicialmente convocado a prestar depoimento à CPI, Zettel deixou de ter presença obrigatória após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A determinação alterou o cronograma da comissão e esvaziou a expectativa de oitivas previstas para esta semana.
Diante disso, Girão declarou que a quebra de sigilo é um instrumento previsto na Constituição e pode ser utilizado pelas CPIs quando há justificativa técnica. Segundo o senador, a medida busca garantir acesso a informações consideradas essenciais para o esclarecimento dos fatos investigados.
Ele afirmou ainda esperar que o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), inclua o requerimento na pauta da próxima sessão deliberativa.
Operação “Compliance Zero”
A segunda fase da operação “Compliance Zero”, deflagrada em janeiro de 2026, ampliou o escopo das apurações sobre supostos crimes financeiros e eventuais irregularidades relacionadas ao mercado de crédito estruturado. A Polícia Federal tem concentrado esforços na análise de documentos, movimentações financeiras e contratos firmados por empresas e pessoas físicas investigadas.
Fabiano Campos Zettel passou a figurar como um dos nomes de destaque dessa etapa da investigação. Além da atuação no mercado financeiro, ele também exerce liderança religiosa na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, o que ampliou a repercussão pública do caso.
Debate político e institucional
O movimento do senador ocorre em meio a discussões sobre os limites de atuação das CPIs e decisões judiciais que impactam investigações parlamentares. Enquanto parlamentares defendem maior autonomia para o Legislativo, o STF reforça a necessidade de respeito às garantias constitucionais e ao devido processo legal.
A eventual aprovação do pedido de quebra de sigilo dependerá de votação no colegiado. Caso seja aprovado, caberá à comissão delimitar o alcance da medida, que pode envolver dados bancários, fiscais ou telefônicos, conforme especificado no requerimento.
O caso deve continuar no centro do debate político nos próximos dias, especialmente se houver novos desdobramentos na investigação conduzida pela Polícia Federal ou manifestações adicionais do Supremo Tribunal Federal.
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