Relatórios apontam intensa movimentação financeira em quatro anos; defesa nega irregularidades
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
A quebra de sigilo bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, no âmbito da CPI do INSS, revelou uma movimentação financeira de R$ 19,5 milhões entre 2022 e 2026. Os dados também apontam transferências que somam R$ 721 mil feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao filho no mesmo período.
De acordo com os registros analisados pela comissão, os valores correspondem a entradas e saídas em uma conta mantida no Banco do Brasil. No período, foram contabilizados cerca de R$ 9,7 milhões em créditos e R$ 9,7 milhões em débitos, indicando alta movimentação financeira ao longo dos quatro anos.
A investigação avançou após autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que permitiu o acesso da Polícia Federal aos dados financeiros do empresário. A medida foi adotada diante de suspeitas de possível relação comercial com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado por suposto envolvimento em fraudes contra aposentados e pensionistas.
Transferências do presidente
Entre os dados obtidos pela CPI, constam três transferências realizadas por Luiz Inácio Lula da Silva ao filho, totalizando cerca de R$ 721 mil.
A maior delas, de R$ 384 mil, ocorreu em julho de 2022, período que antecedeu a campanha presidencial. Outras duas transferências foram registradas em dezembro de 2023.
Segundo a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, os valores têm origem lícita e estão relacionados a:
- adiantamento de herança
- ressarcimento de despesas
- operações financeiras envolvendo empresas familiares
Empresas e movimentações
Parte relevante das transações envolve empresas do empresário, como a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia, ambas com atuação nas áreas de tecnologia, marketing e consultoria empresarial.
As movimentações incluem transferências internas, rendimentos de investimentos e despesas operacionais. Os registros também indicam pagamentos de aproximadamente R$ 480 mil em faturas de cartão de crédito no período analisado.
Pagamentos a ex-sócios
Os dados revelam ainda repasses a ex-sócios da antiga empresa Gamecorp:
- cerca de R$ 750 mil para Kalil Bittar
- cerca de R$ 704 mil para Jonas Suassuna Filho
Essas movimentações fazem parte do conjunto de transações sob análise da comissão e ainda serão avaliadas quanto à sua natureza.
Defesa nega irregularidades
Em nota, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirma que todas as movimentações possuem origem legítima e ressalta a ausência de elementos que relacionem diretamente o empresário às fraudes investigadas.
Os advogados também questionam a inclusão dos dados financeiros no escopo da investigação conduzida pela CPI do INSS.
Contexto da investigação
A CPI do INSS foi instaurada para investigar possíveis irregularidades envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
O objetivo é identificar responsáveis, mapear eventuais esquemas e propor medidas para fortalecer a proteção dos beneficiários do sistema previdenciário.
Apesar da movimentação financeira expressiva apontada nos relatórios, o caso segue em apuração e não há conclusão definitiva sobre irregularidades. O avanço das investigações e eventuais decisões judiciais serão determinantes para esclarecer os fatos e definir responsabilidades.
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