Remédios em supermercados: nova lei do governo muda acesso a medicamentos no Brasil

Medida permite instalação de farmácias dentro de mercados, mas mantém regras rígidas de controle e exige presença de farmacêutico
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

O governo federal sancionou uma nova lei que autoriza a instalação de farmácias e drogarias dentro de supermercados em todo o Brasil, abrindo caminho para um novo modelo de acesso a medicamentos no país. A medida, originada do Projeto de Lei 2.158/2023, já está em vigor e estabelece que esses espaços devem funcionar de forma independente, seguindo todas as exigências sanitárias aplicadas às farmácias tradicionais.

O que muda na prática

Apesar da percepção inicial de flexibilização, a nova legislação não libera a venda de medicamentos de forma indiscriminada dentro dos supermercados.

Na prática, o texto determina que:

  • Farmácias devem operar em espaços físicos delimitados e exclusivos, separados do restante do mercado
  • Está proibida a venda de medicamentos em gôndolas comuns ou prateleiras abertas
  • É obrigatória a presença de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento
  • Os estabelecimentos devem seguir todas as normas sanitárias já exigidas no país
  • Medicamentos controlados exigem procedimentos específicos de segurança e rastreabilidade

Essas exigências visam evitar riscos à saúde pública e garantir que o modelo mantenha o padrão regulatório já existente no setor farmacêutico.

Ampliação do acesso, especialmente em regiões menores

A proposta foi defendida no Congresso como uma forma de ampliar o acesso da população a medicamentos, principalmente em cidades pequenas ou regiões onde há escassez de farmácias.

Durante a tramitação, parlamentares destacaram que muitos brasileiros enfrentam dificuldades para adquirir medicamentos devido à distância ou à baixa oferta de estabelecimentos especializados.

Modelo segue padrão internacional

O novo formato aproxima o Brasil de práticas já adotadas em outros países, onde farmácias funcionam dentro de grandes redes de varejo — desde que respeitando regras sanitárias rigorosas e separação operacional.

No entanto, especialistas ressaltam que, no caso brasileiro, não há mudança no controle sanitário, apenas na forma de organização do ponto de venda.

Como os supermercados poderão operar

A lei permite dois modelos de funcionamento:

  • Operação direta pelo próprio supermercado
  • Parceria com redes de farmácias já licenciadas

Independentemente da escolha, o estabelecimento deverá cumprir integralmente a legislação sanitária e farmacêutica vigente, incluindo exigências de armazenamento, controle de temperatura e assistência profissional ao consumidor.

Impactos esperados

A nova legislação pode gerar:

  • Maior concorrência no setor farmacêutico
  • Ampliação da capilaridade do acesso a medicamentos
  • Possível redução de preços em algumas regiões

Por outro lado, entidades do setor acompanham a implementação com atenção, especialmente em relação à fiscalização e ao cumprimento das normas sanitárias.

A lei sancionada não transforma supermercados em farmácias comuns, mas cria um modelo regulado, com regras claras e controle rigoroso. Na prática, o consumidor poderá encontrar mais pontos de acesso a medicamentos, sem abrir mão da segurança exigida no setor.

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