Com Lula, juros bancários atingem o maior nível em nove anos

Inflação persistente, dívida pública em alta e desconfiança elevam o custo do crédito e afetam famílias e empresas

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O desempenho recente da economia brasileira mostra um cenário de desaceleração consistente, acompanhado por inflação persistente e deterioração das contas públicas, fatores que mantêm o custo do dinheiro elevado e travam uma recuperação mais sólida.

Dados oficiais indicam que o crescimento do PIB em 12 meses caiu de 3,6% no primeiro trimestre de 2025 para 2,7% no terceiro trimestre, confirmando perda de ritmo da atividade econômica. Indicadores mais recentes reforçam essa tendência, apontando avanço ainda menor, de 2,2%, sinalizando continuidade do enfraquecimento.

Inflação ainda impede alívio mais rápido nos juros

Mesmo oficialmente dentro da meta, a inflação continua sendo um obstáculo relevante para a redução dos juros. O índice acumulado em 12 meses ficou em 4,4% em janeiro, mas com pressões persistentes em áreas sensíveis, como serviços e bens industriais.

Analistas apontam que o processo de desaceleração dos preços segue irregular e instável, o que reduz a previsibilidade e limita decisões mais firmes na política monetária.

Na prática, o cenário revela que o controle da inflação ainda não está consolidado, exigindo cautela do Banco Central. A autoridade monetária mantém o discurso de prudência, indicando que eventuais cortes na taxa Selic tendem a ocorrer de forma lenta e gradual.

Crédito mais caro sufoca famílias e empresas

O impacto direto dessa política já aparece no bolso da população e das empresas. A taxa média de juros no país atingiu 32,8% ao ano em janeiro, o maior nível desde 2016.

Para pessoas físicas, a situação é ainda mais grave: os juros chegaram a 38% ao ano, o maior patamar desde 2017. Já as empresas enfrentam custos de 21,4% ao ano, o nível mais alto em mais de uma década.

O encarecimento do crédito não se deve apenas à Selic, mas principalmente ao aumento do risco percebido pelos bancos.

O spread bancário subiu para 21,9 pontos percentuais, refletindo desconfiança na capacidade de pagamento. Como consequência, a inadimplência disparou para 4,2%, o maior nível da série histórica.

Crise fiscal trava queda dos juros

Um dos principais fatores por trás dos juros elevados é o quadro fiscal deteriorado. O país acumula déficits recorrentes desde 2014, com breve exceção entre 2021 e 2023.

Nos últimos anos, a situação voltou a piorar. A dívida pública subiu para 78,7% do PIB e deve continuar crescendo, podendo chegar a 83,8% em 2026 e 94,1% em 2030.

Esse cenário fiscal fragilizado aumenta o risco do país e impede cortes mais rápidos na taxa de juros, mantendo o crédito caro por mais tempo.

Brasil segue entre os países com juros mais altos do mundo

Mesmo com o início da redução da Selic — de 15% para 14,75% ao ano — o Brasil ainda figura entre os países com maiores juros reais do planeta, próximos de 9,23%.

A decisão de iniciar cortes ocorreu diante da desaceleração econômica, mas o ambiente de inflação resistente e contas públicas frágeis limita avanços mais ousados.

Desaceleração abre espaço limitado para cortes

A perda de força da economia cria uma oportunidade para reduzir juros, mas essa margem é estreita. Bancos já indicam que vão restringir ainda mais o crédito em 2026, aumentando a seletividade.

O resultado é um ciclo preocupante: crédito caro, consumo menor, crescimento mais fraco e dificuldade para reverter o quadro econômico.

Leia mais

Eleições 2026: Lula recua e admite que pode não disputar

Forças policiais da Europa desmantelam rede de tráfico de migrantes entre o Vietnã e Reino Unido

Cármen Lúcia antecipa saída do TSE e abre caminho para nova direção antes das eleições

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*