Documentos fiscais indicam pagamentos de ao menos R$ 80 milhões; defesa contesta veracidade das informações e questiona origem dos dados
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
Documentos atribuídos à Receita Federal e apresentados no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, apontam que um escritório de advocacia ligado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, recebeu cerca de R$ 80 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. A informação, no entanto, é contestada pela defesa, que afirma se tratar de dados sigilosos obtidos de forma ilegal.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado investiga movimentações financeiras envolvendo o Banco Master e contratos firmados com prestadores de serviços, entre eles um escritório de advocacia vinculado à advogada Viviane Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Segundo informações apresentadas pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira, documentos fiscais indicariam que o banco declarou pagamentos de aproximadamente R$ 80 milhões ao escritório entre os anos de 2024 e 2025. Esses valores teriam sido informados à Receita Federal por meio de tributos retidos na fonte, prática comum em contratos de prestação de serviços.
De acordo com os dados apresentados, havia um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório que previa pagamentos mensais de R$ 3,5 milhões ao longo de 36 meses, o que totalizaria R$ 129 milhões. Parte desse montante, segundo a investigação, teria sido efetivamente paga.
Defesa contesta informações
Em nota, o escritório de advocacia afirmou não confirmar os valores divulgados e classificou as informações como “incorretas e vazadas ilicitamente”. A defesa também ressaltou que dados fiscais são protegidos por sigilo legal, o que levanta questionamentos sobre a forma como os documentos foram obtidos.
O escritório declarou ainda que prestou serviços ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período de aproximadamente 22 meses. Segundo a nota, foram produzidos 36 pareceres jurídicos, além da realização de dezenas de reuniões técnicas, envolvendo uma equipe de advogados.
Contexto da investigação
A CPI do Crime Organizado foi instaurada para apurar possíveis irregularidades envolvendo instituições financeiras e suas relações com agentes públicos e privados. O caso ganhou destaque após a divulgação dos valores e pela ligação indireta com um membro do Supremo Tribunal Federal.
Durante sessão no Senado, o relator Alessandro Vieira afirmou que a apuração envolve questões que podem impactar a credibilidade institucional, destacando a complexidade do caso e a necessidade de aprofundamento das investigações.
Patrimônio e repercussão
Além das informações sobre os contratos, vieram à tona dados públicos sobre aquisições imobiliárias ligadas à família do ministro, realizadas por meio de uma empresa da qual a advogada é sócia. Entre os bens estão imóveis de alto valor em Brasília e em São Paulo.
Essas informações, embora legais e registradas em cartório, passaram a integrar o debate público em razão do contexto das investigações.
Apuração ainda em andamento
Até o momento, não há conclusão oficial da CPI sobre irregularidades ou ilegalidades nos pagamentos. Especialistas ressaltam que a divulgação de dados preliminares deve ser analisada com cautela, respeitando o devido processo legal e o direito à ampla defesa.
A investigação segue em andamento no Senado, e novos desdobramentos podem esclarecer a natureza dos contratos, a legalidade dos pagamentos e a origem das informações utilizadas pela comissão.
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