Relator da CPI aponta pressão sobre órgão de inteligência e diz que medidas dificultam investigações sobre o crime organizado
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), têm dificultado o acesso da comissão a informações consideradas essenciais para o avanço das investigações.
Segundo o parlamentar, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) estaria sob pressão institucional para não compartilhar relatórios de inteligência financeira sem o cumprimento de exigências adicionais impostas por decisão judicial. Entre essas exigências, estão a abertura formal de investigação, justificativa detalhada do pedido e a identificação dos investigados.
As medidas foram determinadas no fim de março e, na avaliação de integrantes da CPI, criam barreiras que comprometem o andamento das apurações sobre esquemas financeiros ligados ao crime organizado.
Durante as investigações, vieram à tona registros de utilização de aeronaves associadas ao empresário Daniel Vorcaro por parte do ministro. De acordo com dados analisados pela comissão, ao menos oito viagens teriam ocorrido, incluindo um deslocamento na véspera de um encontro entre ambos.
Mensagens obtidas no curso das investigações também indicam interações entre Vorcaro, Moraes e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o que ampliou o interesse da CPI sobre possíveis conexões entre agentes públicos e o empresário.
Outro ponto que gerou repercussão foi um levantamento que indicou aumento significativo no patrimônio imobiliário do ministro e de sua esposa, a advogada Viviane Barci, desde sua entrada no STF em 2017. Segundo os dados, o casal teria adquirido diversos imóveis, totalizando valores milionários nos últimos anos.
A CPI também criticou o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que deixou de comparecer ao depoimento após obter decisão do ministro André Mendonça, que tornou sua presença facultativa — o que gerou questionamentos sobre a dificuldade de responsabilização de autoridades no país.
Além disso, o relator destacou operações envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB), que teria adquirido ativos ligados ao Banco Master mesmo após indícios de irregularidades nas carteiras da instituição.
As declarações reforçam o clima de tensão entre a CPI e setores do Judiciário, em um momento em que a comissão busca aprofundar investigações sobre fluxos financeiros suspeitos e possíveis conexões entre agentes públicos e o setor privado.
O caso segue em andamento, com expectativa de novos depoimentos e análise de documentos nas próximas semanas.
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