Relatório dos EUA expõe Moraes por censura e uso político da Justiça

Documento denuncia perseguição a opositores e risco às eleições de 2026

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos divulgou, na quarta-feira (1º), a terceira parte do relatório intitulado “O ataque à liberdade de expressão no exterior: O caso do Brasil”. O documento traz fortes acusações contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontando que suas decisões estariam ultrapassando fronteiras e atingindo até cidadãos e empresas norte-americanas.

Segundo o relatório, há indícios de que decisões judiciais brasileiras estariam comprometendo a soberania dos Estados Unidos, ao tentar impor restrições à liberdade de expressão em plataformas digitais sediadas no país. A comissão afirma ainda que tais medidas podem interferir diretamente no cenário político brasileiro às vésperas das eleições presidenciais de 2026.

O comitê é presidido pelo deputado republicano Jim Jordan, aliado do presidente Donald Trump. Em janeiro deste ano, Jordan se reuniu com nomes ligados à direita brasileira, como Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo, reforçando a articulação internacional em torno do tema.

Pressão sobre empresas e risco de saída do Brasil

O relatório afirma que o que chama de “regime de censura” no Brasil estaria colocando empresas de tecnologia dos EUA em uma posição delicada: ou cumprem ordens judiciais brasileiras — consideradas abusivas pelo comitê — ou enfrentam processos, sanções e até a inviabilidade de operar no país.

Gigantes como Google, X, Meta e Telegram são citadas como alvos de ordens judiciais que exigem remoção de conteúdos, bloqueio de contas e entrega de dados pessoais de usuários.

De acordo com o documento, essas determinações teriam sido feitas por meio de decisões sigilosas entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, muitas vezes impedindo que os próprios investigados fossem informados sobre a coleta de seus dados.

Acusações de perseguição política e “lawfare”

Um dos pontos mais contundentes do relatório é a acusação de que decisões de Moraes estariam sendo usadas como instrumento político. O comitê afirma que:

“Muitas das ordens de censura têm como alvo opositores políticos e críticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tanto no Brasil quanto no exterior.”

O documento também menciona diretamente Eduardo Bolsonaro, classificando-o como vítima de “censura extraterritorial” e um dos principais defensores de sanções internacionais contra o ministro do STF.

Segundo o relatório, há indícios de uma “guerra jurídica contra a família Bolsonaro”, o que poderia configurar lawfare — uso do sistema judicial para enfraquecer adversários políticos.

Casos citados reforçam narrativa de censura

Entre os exemplos apresentados estão:

• O bloqueio de contas do jornalista Allan dos Santos

• A suspensão massiva de perfis do influenciador Monark, que teria tido cerca de 40 contas derrubadas em diferentes plataformas

• A coleta de dados e investigações sigilosas envolvendo opositores

O relatório também relembra o episódio envolvendo o Banco do Brasil, que acusou Eduardo Bolsonaro de disseminar informações falsas após declarações públicas incentivando a retirada de recursos da instituição.

Impacto eleitoral e tensão internacional

Para o comitê norte-americano, o conjunto dessas ações pode ter consequências diretas no processo democrático brasileiro. O documento alerta que:

“Essas medidas podem influenciar o ambiente eleitoral de 2026 ao restringir vozes da oposição e moldar o debate público.”

A publicação da terceira parte do relatório intensifica a tensão entre setores da direita brasileira e o Judiciário, ao mesmo tempo em que internacionaliza o debate sobre liberdade de expressão, atuação do STF e limites do poder judicial.

Um debate que ultrapassa fronteiras

Com base em documentos obtidos por meio de intimações judiciais nos Estados Unidos, o relatório reforça uma narrativa que já vinha sendo construída desde 2024.

Agora, com a nova etapa, o tema ganha ainda mais peso político, colocando o Brasil no centro de uma discussão global sobre censura, soberania e democracia, ampliando o embate entre instituições brasileiras e aliados internacionais da direita.

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