Butantan solicita à Anvisa registro da primeira vacina contra a dengue em dose única

foto:Getty Images
Imunizante pioneiro promete ampliar a proteção contra os quatro sorotipos do vírus com apenas uma aplicação.
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

O Instituto Butantan anunciou que solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o registro da sua vacina contra a dengue, a primeira do mundo em dose única. O imunizante, desenvolvido com tecnologia inovadora, representa um avanço significativo na luta contra a doença que assola milhões de pessoas em regiões tropicais e subtropicais.

A vacina foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e é fruto de um trabalho contínuo realizado pelo Instituto Butantan, um dos maiores centros de pesquisa biomédica da América Latina.

Resultados promissores em testes clínicos

Os dados apresentados à Anvisa incluem resultados de estudos clínicos realizados em parceria com 12 centros de pesquisa espalhados pelo Brasil. A pesquisa envolveu mais de 17 mil voluntários de diversas faixas etárias e regiões, garantindo a avaliação da eficácia e segurança do imunizante em diferentes contextos epidemiológicos.

De acordo com o Butantan, a vacina apresentou alta eficácia com uma única dose, simplificando o esquema de imunização e facilitando a distribuição e adesão em larga escala. Diferentemente de vacinas já existentes, que exigem duas ou mais doses, essa inovação permitirá imunizar a população de maneira mais rápida e acessível.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, destacou a importância do pedido de registro. “Essa vacina é um marco para a saúde pública, pois combina segurança, eficácia e conveniência. O formato em dose única será determinante para o combate à dengue em países como o Brasil, onde o vírus circula com alta intensidade.”

Como funciona a vacina

O imunizante utiliza um vírus atenuado, ou seja, uma versão enfraquecida do vírus da dengue. Essa abordagem garante que o sistema imunológico desenvolva proteção robusta contra os quatro sorotipos, sem causar a doença.

Os testes mostraram que a vacina é segura e bem tolerada, com reações leves, como dor no local da aplicação. Além disso, a eficácia foi comprovada tanto em pessoas que já tiveram dengue quanto naquelas que nunca foram infectadas pelo vírus.

A dengue no Brasil e no mundo

A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, responsável por quadros que vão de febre leve até complicações graves, como a dengue hemorrágica, que pode ser fatal.

Segundo dados do Ministério da Saúde, somente em 2023 o Brasil registrou cerca de 1,6 milhão de casos de dengue, com mais de 1.000 mortes confirmadas. O cenário preocupa autoridades de saúde, principalmente em períodos de alta incidência, como o verão.

No mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 390 milhões de infecções por dengue ocorrem anualmente, com maior impacto em países da Ásia, América Latina e Caribe.

Próximos passos

A Anvisa tem agora um prazo regulamentar para avaliar a documentação e os dados apresentados pelo Instituto Butantan. Caso o registro seja aprovado, a vacina poderá ser incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), oferecendo uma ferramenta crucial no controle da dengue no Brasil.

O Instituto Butantan, reconhecido internacionalmente pela produção de vacinas como a Coronavac e imunobiológicos, reafirma seu compromisso com a saúde pública e com a busca por soluções eficazes para doenças endêmicas no país.

Importância do imunizante

A vacina em dose única representa uma solução viável, especialmente para regiões com dificuldades de acesso a sistemas de saúde. A praticidade de uma aplicação única facilita campanhas de vacinação em massa, com potencial para reduzir drasticamente os casos da doença.

O pedido de registro da vacina contra a dengue feito pelo Instituto Butantan à Anvisa é um passo histórico no combate à doença. Caso aprovada, a primeira vacina do mundo em dose única poderá transformar o cenário global de saúde pública, principalmente em países endêmicos como o Brasil.

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