Presidente americano endurece medidas e desafia Pequim em mais uma etapa de sua política de proteção à indústria nacional.
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
A administração Trump deu um passo decisivo nesta terça-feira (9) ao anunciar a elevação das tarifas sobre produtos importados da China, saltando de 34% para 104%. A decisão, confirmada pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, deve entrar em vigor à meia-noite e marca mais um capítulo na firme postura do republicano em defesa da economia dos Estados Unidos.
A reação de Pequim veio em tom de confronto. Por meio de comunicado oficial, o Ministério do Comércio chinês afirmou que o país “nunca aceitará a natureza de chantagem dos EUA” e prometeu “lutar até o fim”. A retórica agressiva, no entanto, contrasta com o próprio apelo feito pela China horas depois, pedindo o cancelamento de todas as tarifas e sugerindo diálogo entre as partes.
Trump deixou claro que está disposto a enfrentar os países que, segundo ele, abusaram da boa-fé americana durante décadas. “Os países que realmente tiraram vantagem de nós, agora estão dizendo por favor negociem”, declarou o presidente, sinalizando que outros parceiros comerciais também podem ser alvo de medidas similares.
Mesmo diante da pressão internacional e dos possíveis efeitos sobre os preços, Trump reafirmou que não pretende suspender os aumentos para abrir espaço às negociações. A estratégia é clara: endurecer as regras para proteger os empregos americanos e reduzir a dependência de um país que tem utilizado práticas desleais para ganhar espaço nos mercados globais.
O histórico mostra que o presidente já utilizou esse tipo de pressão com aliados, como Europa e Canadá, mas sempre buscando garantir vantagens para os Estados Unidos. No caso da China, o desafio é mais profundo, envolvendo não apenas tarifas, mas questões estratégicas como tecnologia e segurança nacional.
A disputa ganha novos contornos com a possibilidade de tarifas recíprocas se estenderem a países do Sudeste Asiático, como Malásia, Vietnã e Camboja — locais onde fabricantes chineses teriam deslocado parte da produção para escapar das medidas americanas. Com isso, produtos montados nesses países, mas com origem chinesa, também devem ser alvo de tarifas, fechando ainda mais o cerco.
A diferença no volume comercial entre as duas potências é expressiva. Em 2024, os EUA importaram cerca de US$ 440 bilhões da China, enquanto exportaram US$ 145 bilhões — resultando num déficit de US$ 295 bilhões. Para Trump, o número é inaceitável e representa um desequilíbrio que precisa ser corrigido de forma imediata.
As principais exportações americanas para a China incluem soja, produtos farmacêuticos e petróleo, enquanto os EUA recebem grandes volumes de eletrônicos, brinquedos e baterias. Com o novo percentual tarifário, o impacto sobre esses produtos será multiplicado, especialmente no caso dos smartphones, responsáveis por 9% do total importado da China pelos EUA.
Os efeitos serão sentidos também nas gigantes de tecnologia. A Apple, por exemplo, já tem enfrentado queda no valor de suas ações devido às tarifas anteriores. Com o novo aumento, a pressão sobre o setor pode se intensificar ainda mais.
Além das tarifas, Washington pode usar outras frentes para conter o avanço chinês. Um exemplo é o controle sobre metais estratégicos, como germânio e gálio, usados em aplicações militares e que já sofreram restrições por parte da China. Por outro lado, os EUA estudam reforçar o bloqueio tecnológico iniciado no governo Biden, dificultando o acesso chinês a microchips avançados.
O ex-assessor comercial de Trump, Peter Navarro, sugeriu inclusive que o governo americano pressione países como México, Camboja e Vietnã a escolherem entre manter laços comerciais com os EUA ou a China, ampliando o raio de influência da política tarifária americana.
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