Desabafo de Airton Vieira expõe cobranças intensas, desgaste psicológico e impacto na vida pessoal no gabinete de Moraes.
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O clima nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos após a divulgação de um áudio atribuído a Airton Vieira, juiz auxiliar de Alexandre de Moraes por mais de seis anos. A gravação mostra um desabafo intenso sobre a rotina no gabinete do ministro, que ele descreveu como insustentável.
O registro, datado de 14 de janeiro de 2023, foi enviado a Eduardo Tagliaferro, então chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido à época por Moraes. No conteúdo, o magistrado afirma:
“Não aguento mais, a coisa está feia.”
O juiz, que já havia trabalhado diretamente com Moraes em processos polêmicos, relatou ainda o aumento das cobranças.
“Pensei que a pressão diminuiria, mas ela voltou a crescer exponencialmente. Fico constrangido de sair agora, justamente no momento da maior tempestade. Isso seria desagradável e eu não faria. Está muito, muito difícil.”
A queixa incluiu também prejuízos à vida pessoal:
“Minha família está sendo extremamente prejudicada, e o trabalho só aumenta a pressão. Cobranças para tudo, o que falamos não tem crédito, e tudo é para anteontem.”
Esses relatos se somam a um histórico de episódios controversos envolvendo o juiz e o gabinete de Moraes, incluindo orientações que, segundo interlocutores, reforçavam um padrão centralizador e desgastante. Vieira reclamou de tarefas urgentes impostas sem prazo razoável, da ausência de autonomia e da falta de reconhecimento.
O episódio acontece em meio a atritos dentro da própria Corte. Nos últimos meses, ministros do STF passaram a demonstrar incômodo com o comportamento de Moraes, considerado belicoso e inflexível. Convites para eventos em apoio ao ministro foram recusados, e nomes de peso, como Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, chegaram a aconselhá-lo a moderar suas ações.
Com o afastamento de Vieira do gabinete e a divulgação dos áudios, a pressão não parece recair apenas sobre assessores e investigados, mas também sobre a imagem do próprio ministro. As falas do ex-auxiliar resumem a sensação de desgaste que, segundo críticos, não é mais restrita aos bastidores: “Não aguento mais, a coisa está feia.”
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