Europa endurece fronteiras: modelo dinamarquês inspira novos debates sobre imigração no Reino Unido

Políticas de asilo temporário, repatriação e restrições severas dividem especialistas e podem dominar a agenda eleitoral britânica
Por Chico Gomes | GNEWSUSA

Desde 2015, a Dinamarca adotou uma das políticas de asilo mais rigorosas da Europa, transformando o status de refugiados em autorizações temporárias, válidas por apenas um a dois anos, sem garantia de residência permanente. A estratégia tem como objetivo desestimular a imigração, movimento que vem se tornando tendência em vários países europeus.

Agora, o Reino Unido — sob o comando do governo Labour — sinaliza interesse em aplicar um modelo semelhante. A iniciativa surge em meio a críticas da ONU e de entidades de direitos humanos, que questionam tanto a eficácia quanto a ética de políticas restritivas dessa natureza. A imigração promete ser um dos temas centrais das próximas eleições britânicas.

Políticas de repatriação e queda histórica nos pedidos de asilo

A Dinamarca tem sido amplamente criticada por medidas de repatriação e pela demolição de bairros com alta concentração de imigrantes não ocidentais — ações justificadas pelo governo como formas de proteger a coesão social. Especialistas, porém, alertam que essas práticas colocam em risco princípios democráticos e de direitos humanos.

Os resultados já são visíveis: os pedidos de asilo despencaram de 14.792 em 2014 para apenas 2.333 em 2024, e apenas 1% dos vistos concedidos no último ano foi destinado a refugiados. O modelo dinamarquês, baseado em permanências curtas e incertezas constantes, tem dificultado a integração e desmotivado migrantes que chegam ao país.

Reino Unido analisa riscos e impactos de seguir o mesmo caminho

A possível adoção desse modelo pelo Reino Unido traz questionamentos importantes. Embora a experiência da Dinamarca indique que políticas de dissuasão podem reduzir a imigração, elas também acarretam custos elevados para os direitos fundamentais e impactam a imagem internacional do país.

Analistas afirmam que repetir esse modelo pode acirrar tensões sociais e políticas no Reino Unido, especialmente diante da necessidade crescente de mão de obra e da resistência de parte da sociedade a políticas anti-imigração.

À medida que as eleições se aproximam, o debate sobre imigração se intensifica — e deve se tornar um dos temas decisivos para o futuro do país.

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