Aliados denunciam abuso de autoridade e afirmam que a prisão ignora o estado crítico de saúde do ex-presidente
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi detido preventivamente na manhã deste sábado (22), em Brasília, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão, realizada por volta das 6h35, ocorreu nas dependências da Polícia Federal (PF), para onde Bolsonaro foi levado imediatamente após a chegada dos agentes.
A decisão não tem relação direta com a pena estabelecida no processo sobre tentativa de golpe de Estado. Segundo o mandado judicial, a medida foi adotada como forma de “preservar a ordem pública”, motivação apresentada pela PF devido à convocação de uma vigília de apoiadores marcada para este sábado.
Instalações especiais e exames médicos
Ao chegar à Superintendência da PF, Bolsonaro foi conduzido a uma cela adaptada exclusivamente para ele. Às 7h20, passou por exame de corpo de delito, procedimento padrão em prisões preventivas.
A PF limitou-se a confirmar o cumprimento da ordem judicial, informando em nota breve que o mandado foi executado conforme determinação do STF.
Vigília organizada por Flávio Bolsonaro motivou pedido da PF
A vigília que motivou o pedido da PF ao ministro Moraes havia sido anunciada nas redes sociais pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. O ato estava previsto para as 19h, no balão do Jardim Botânico, próximo ao condomínio onde Bolsonaro mora em Brasília.
Flávio havia convocado apoiadores afirmando que o encontro serviria para orações pela saúde do pai e, segundo ele, também como manifestação pela “liberdade do Brasil”.
Reações políticas: oposição chama prisão de ‘desumana’
O clima entre aliados do ex-presidente rapidamente se tornou de forte indignação. O deputado Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, divulgou nota classificando a decisão de “injusta” e “chocante”.
“Prender um ex-chefe de Estado que jamais se furtou a colaborar com as autoridades e que enfrenta um quadro de saúde extremamente sensível é, no mínimo, abominável”, afirmou o parlamentar.
Zucco destacou ainda que Bolsonaro convive com consequências duradouras da facada sofrida em 2018, as quais, segundo ele, se agravaram nos últimos meses.
“São crises de soluço, vômitos frequentes, limitações severas e cirurgias recentes. Colocá-lo em regime fechado nessas condições ultrapassa a linha da justiça. É desumano. Se sua saúde se deteriorar sob custódia do Estado, a responsabilidade será inteiramente do governo”, completou.
Defesa argumenta “risco real à vida” e pede prisão domiciliar humanitária
Na véspera da prisão, os advogados de Bolsonaro — Celso Sanchez Vilardi, Paulo Cunha Bueno e Daniel Tesser — haviam protocolado um pedido de prisão domiciliar humanitária. A solicitação tinha como base o quadro médico do ex-presidente, que, segundo a equipe jurídica, está “gravemente comprometido”.
Na petição, os defensores alertam que o ambiente prisional seria “incompatível com suas necessidades de saúde”, afirmando que Bolsonaro preenche todos os requisitos legais para a concessão da medida:
• Doença grave,
• Debilidade física comprovada,
• Impossibilidade de receber tratamento adequado na prisão.
Os advogados ressaltam que a manutenção do ex-presidente em regime fechado pode representar “risco concreto à vida”, citando episódios recentes que incluem crises de vômito, limitações motoras e dificuldades alimentares.
Apesar disso, a prisão ocorrida neste sábado não está vinculada ao cumprimento de pena, mas sim ao caráter preventivo da decisão que determinou sua detenção imediata.
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