Déficit de R$ 6,35 bilhões acende alerta de paralisação e amplia crise fiscal no governo.
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
As contas das estatais federais registraram um déficit de R$ 6,35 bilhões até outubro de 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (28). O rombo já se aproxima do pior resultado da série histórica, registrado em 2024.
O balanço aponta que, mais uma vez, as empresas públicas gastaram mais do que arrecadaram, repetindo um cenário de fragilidade crônica no setor.
A estatística contempla 20 estatais — entre elas Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev, Emgepron, Hemobrás e Emgea — excluindo Petrobras, Eletrobras e bancos públicos.
Correios puxam o rombo e vivem a pior crise financeira em décadas
O maior sinal de alerta vem dos Correios, que acumulam mais de R$ 4 bilhões de prejuízo apenas no primeiro semestre — e a projeção é de que esse valor possa atingir R$ 10 bilhões até dezembro.
A estatal, responsável por serviços essenciais de logística, já havia encerrado 2024 com déficit de R$ 2,6 bilhões e enfrenta 12 trimestres consecutivos de resultados negativos.
Para evitar um colapso operacional, a atual gestão lançou um plano de reestruturação que prevê:
• Captação de R$ 20 bilhões via consórcio de bancos;
• Reorganização do modelo de negócios;
• Medidas emergenciais para impedir interrupção de serviços básicos.
Eletronuclear também acende alerta
Outra estatal em situação crítica é a Eletronuclear, que recentemente pediu R$ 1,4 bilhão ao Tesouro Nacional para manter as usinas Angra 1 e Angra 2.
A manutenção da estrutura parada de Angra 3 custa cerca de R$ 1 bilhão por ano, enquanto estudos do BNDES estimam:
• R$ 22 a 26 bilhões para abandono da obra, ou
• R$ 24 bilhões para finalizar a usina.
Governo tenta conter repercussão
Em nota, o Ministério da Gestão e Inovação afirmou que o déficit não representa necessariamente prejuízo operacional, alegando que parte das despesas se refere a investimentos e pagamento de dividendos.
Segundo a pasta:
• 15 das 20 estatais analisadas registram lucro em 2025.
• Entre janeiro e setembro, foram investidos R$ 3,2 bilhões, além de R$ 1,74 bilhão pagos em dividendos — valores que entram como despesa primária.
O governo ainda ressaltou que, considerando Petrobras e bancos públicos, os números globais seriam positivos, com lucro de R$ 92,4 bilhões no primeiro semestre, alta de 54,4%.
Desafio continua sendo gestão e eficiência
Apesar das justificativas técnicas, os dados mostram que parte importante das estatais segue acumulando prejuízos elevados, exigindo aportes bilionários do Tesouro e deixando evidente a fragilidade de setores essenciais administrados pelo governo.
A deterioração das contas dos Correios e da Eletronuclear reforça a necessidade de uma revisão profunda da gestão pública, especialmente em áreas que impactam diretamente serviços básicos e a infraestrutura nacional.
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