Com projeção de avanço para 82,4% do PIB ainda este ano, cenário pressiona o atual governo e reacende debate sobre sustentabilidade das contas públicas e novo pacto federativo
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O Brasil inicia 2026 com a dívida pública consolidada equivalente a 78,1% do Produto Interno Bruto (PIB), um dos patamares mais elevados da série histórica recente durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dado representa um aumento significativo em relação ao ano anterior e reforça o alerta sobre a fragilidade fiscal do país. Projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI) indicam que esse percentual pode alcançar 82,4% do PIB até o fim do ano.
Ao longo do terceiro mandato do presidente Lula, a trajetória da dívida pública tem sido marcada por crescimento contínuo, impulsionado pela ampliação de gastos obrigatórios, expansão de programas sociais, aumento do custo da dívida e dificuldades estruturais para elevar a arrecadação sem comprometer a atividade econômica. O avanço da dívida ocorre mesmo em um cenário de esforços do governo para recompor receitas e revisar regras fiscais.
De acordo com a IFI, órgão ligado ao Senado Federal, o atual ritmo de endividamento sugere um risco crescente de esgotamento fiscal no médio prazo. A instituição avalia que, sem medidas estruturais mais robustas, o arcabouço fiscal em vigor pode não ser suficiente para conter o avanço da dívida, especialmente diante da rigidez do orçamento público e do aumento das despesas previdenciárias e assistenciais.
Especialistas em finanças públicas apontam que o cenário exige um novo pacto fiscal entre União, Estados e municípios. A proposta envolve a redefinição de responsabilidades, revisão de benefícios fiscais, controle mais rigoroso de gastos e maior coordenação federativa, com o objetivo de restaurar a credibilidade das contas públicas e reduzir a percepção de risco por parte de investidores.
O crescimento da dívida pública tem impacto direto sobre a economia. Quanto maior o endividamento, maior tende a ser o custo do financiamento do Estado, pressionando as taxas de juros, reduzindo o espaço para investimentos públicos e afetando a confiança do mercado. Além disso, o aumento do serviço da dívida compromete recursos que poderiam ser destinados a áreas como saúde, educação e infraestrutura.
O governo federal sustenta que o fortalecimento da atividade econômica e o crescimento do PIB são fundamentais para estabilizar a relação dívida/PIB ao longo dos próximos anos. No entanto, analistas alertam que, sem reformas estruturais e maior previsibilidade fiscal, o país pode enfrentar dificuldades para sustentar o crescimento econômico e preservar o equilíbrio das contas públicas.
Com a dívida se aproximando de níveis considerados críticos por especialistas, o debate fiscal volta ao centro da agenda econômica nacional, colocando pressão sobre o atual governo, o Congresso Nacional e os entes federativos para a adoção de medidas que conciliem responsabilidade fiscal e manutenção de políticas sociais consideradas prioritárias.
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