Casa Branca avalia resposta dura a governos acusados de tolerar o narcotráfico
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Poucos dias após a divulgação de informações sobre a captura de Nicolás Maduro e o colapso do regime venezuelano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a indicar que a política externa americana entrará em uma fase ainda mais dura contra governos acusados de tolerar o narcotráfico, violar direitos humanos e ameaçar a segurança regional.
Durante conversas com a imprensa a bordo da aeronave presidencial, Trump deixou claro que países da América Latina — e também do Oriente Médio — passaram a ser avaliados dentro de um novo eixo estratégico de enfrentamento ao crime transnacional e a regimes considerados hostis aos interesses americanos.
Colômbia no centro das preocupações de Washington
Entre os países citados com maior ênfase está a Colômbia, atualmente governada por Gustavo Petro. Segundo avaliações feitas no entorno da Casa Branca, o país enfrenta um retrocesso institucional, com aumento da produção de drogas e enfraquecimento das ações de combate aos cartéis.
Fontes ligadas ao governo americano apontam que Washington observa sinais de conivência estatal com estruturas criminosas, o que, na avaliação dos Estados Unidos, teria impacto direto no fluxo de cocaína que abastece o mercado norte-americano. Questionado sobre respostas mais duras, Trump afirmou que nenhuma alternativa está descartada, deixando claro que se trata de avaliações políticas em curso, e não de decisões formalizadas.
Petro, que já vinha sendo alvo de críticas internacionais, reagiu classificando as declarações como ofensivas e politicamente motivadas. Em manifestações públicas, tentou desqualificar as acusações e acusou os Estados Unidos de interferência indevida, discurso recorrente entre líderes de esquerda pressionados por denúncias.
Sinais claros para México e Cuba
O México também aparece como foco de preocupação. De acordo com a leitura do governo Trump, o país perdeu o controle sobre regiões inteiras dominadas por cartéis, transformando-se em uma rota estratégica para o tráfico de drogas e o crime organizado em direção aos Estados Unidos. A avaliação interna é de que medidas simbólicas já não são suficientes diante da força dessas organizações.
No caso de Cuba, o cenário é descrito como de esgotamento. A crise econômica prolongada, o isolamento internacional e a perda de aliados estratégicos — especialmente após o enfraquecimento do regime venezuelano — colocam Havana em posição de fragilidade inédita. Embora Trump tenha indicado que não vê necessidade imediata de uma ação militar, setores do governo avaliam que o país pode enfrentar consequências mais severas caso mantenha violações sistemáticas de direitos humanos.
Irã entra no radar por repressão interna
Fora do continente americano, o Irã também foi citado como exemplo de regime acompanhado com atenção por Washington. A Casa Branca observa denúncias de repressão violenta contra manifestações populares e sinaliza que novos abusos poderão gerar respostas mais duras, inclusive de natureza militar, caso o cenário se agrave.
A mensagem transmitida por Trump é clara: governos que sustentam poder por meio da violência, do narcotráfico ou da opressão interna não terão mais margem para agir sem enfrentar consequências.
Segurança nacional acima da diplomacia ideológica
O tom adotado pelo presidente americano marca uma ruptura com a política considerada mais branda de administrações anteriores. Para Trump, a defesa da soberania dos Estados Unidos passa pelo enfrentamento direto de ameaças externas, especialmente quando envolvem crime organizado, tráfico internacional e instabilidade política que ultrapassa fronteiras.
A situação na Venezuela, segundo aliados do presidente, funciona como um aviso político de que Washington está disposto a agir quando considera que seus interesses estratégicos estão em risco — ainda que, até o momento, não haja anúncio oficial de operações militares em andamento.
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