Falta de acompanhamento nutricional reduz resposta às terapias, aumenta complicações e eleva o risco de mortalidade entre pacientes oncológicos
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
A desnutrição é uma condição frequente entre pessoas em tratamento contra o câncer e representa um fator decisivo para a evolução da doença. Dados de entidades médicas indicam que até oito em cada dez pacientes oncológicos apresentam algum grau de comprometimento nutricional, situação que afeta diretamente a tolerância aos tratamentos, aumenta a incidência de efeitos colaterais e reduz as chances de sobrevida.
O problema pode surgir ainda nos estágios iniciais da doença e está relacionado tanto à localização do tumor quanto aos impactos físicos e emocionais do tratamento. Cânceres que atingem cabeça, pescoço ou sistema digestivo dificultam a alimentação, enquanto sintomas como dor, fadiga, ansiedade e depressão contribuem para a redução do apetite.
Além disso, terapias como quimioterapia e radioterapia costumam provocar efeitos adversos que interferem diretamente na ingestão alimentar. Náuseas, vômitos, feridas na boca e alterações no paladar são comuns e podem levar o paciente a rejeitar alimentos essenciais para sua recuperação.
Segundo especialistas em nutrição clínica, o câncer também desencadeia um processo inflamatório sistêmico, que acelera o metabolismo e aumenta o consumo de energia e proteínas do organismo. Esse mecanismo favorece a perda de peso e, principalmente, de massa muscular — condição associada a pior resposta terapêutica.
A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) alerta que a perda muscular compromete funções metabólicas importantes e está associada a maior número de internações, interrupções no tratamento e menor qualidade de vida. Estudos científicos apontam que pacientes desnutridos podem apresentar até três vezes mais risco de morte durante o tratamento oncológico, em comparação com aqueles que mantêm um bom estado nutricional.
Diante desse cenário, o acompanhamento nutricional especializado é considerado parte fundamental da abordagem multidisciplinar do câncer. Nutricionistas com atuação em oncologia avaliam não apenas o peso corporal, mas também a composição muscular, o consumo alimentar e as necessidades individuais de cada paciente.
Hospitais de referência, como o Hospital Israelita Albert Einstein, destacam que intervenções precoces — com ajustes na alimentação, uso de suplementos nutricionais ou, quando necessário, nutrição enteral ou parenteral — podem melhorar a resposta ao tratamento e reduzir complicações clínicas.
Especialistas também chamam atenção para o fato de que pacientes com peso aparentemente adequado podem estar desnutridos, devido à perda silenciosa de massa muscular. Por isso, a avaliação nutricional contínua é essencial ao longo de todo o tratamento.
A integração entre médicos, nutricionistas e demais profissionais de saúde tem se mostrado uma estratégia eficaz para preservar a força física, melhorar a tolerância às terapias e ampliar as chances de recuperação. Em oncologia, cuidar da nutrição é, cada vez mais, uma questão de sobrevivência.
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