Protestos iniciados pela crise econômica evoluem para ofensiva política direta contra a ditadura dos aiatolás, com repressão violenta, prisões em massa e mortes
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
O regime islâmico do Irã decretou, nesta semana, um bloqueio quase total do acesso à internet em todo o país como resposta à intensificação dos protestos populares contra a ditadura dos aiatolás. A medida extrema ocorre em meio à maior onda de mobilizações desde o final de dezembro, quando manifestações inicialmente motivadas pelo colapso econômico passaram a desafiar abertamente a estrutura de poder do regime teocrático.

Dados da organização de monitoramento digital NetBlocks confirmaram, por meio de métricas em tempo real, um apagão nacional de conectividade, atingindo os principais provedores da infraestrutura iraniana. Especialistas apontam que o bloqueio tem como objetivo impedir a coordenação dos atos, silenciar denúncias de repressão e dificultar a divulgação de imagens e relatos para a comunidade internacional.
Segundo o Conselho Nacional de Resistência do Irã (NCRI), coalizão de oposição iraniana no exílio, protestos de grande escala estão em andamento em Teerã e em diversas outras cidades do país. Manifestações noturnas tomaram bairros da capital e centros urbanos como Isfahan, Arak e Kermanshah, onde moradores entoaram palavras de ordem diretamente contra o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Entre os slogans mais repetidos estavam “Morte ao ditador” e “É o ano do sangue, Khamenei será derrubado”.

As mobilizações começaram como reação à inflação elevada, à desvalorização acelerada do rial e à deterioração das condições de vida, mas rapidamente se transformaram em um movimento político organizado que exige a derrubada do regime islâmico. De acordo com o NCRI, a resposta das autoridades foi o endurecimento da repressão, com operações de segurança ampliadas, detenções arbitrárias e uso da força contra manifestantes.
Os protestos ganharam novo impulso após um chamado à mobilização nacional feito do exílio pelo príncipe Reza Pahlavi, herdeiro da antiga monarquia iraniana. Após o apelo, manifestações se espalharam por diversas cidades nesta quinta-feira (8), acompanhadas por greves e fechamento de comércios em dezenas de municípios, ampliando a pressão sobre o governo.

Dados divulgados pela organização de direitos humanos HRANA indicam que ao menos 36 pessoas morreram desde o início dos protestos — sendo 34 manifestantes e dois integrantes das forças de segurança — além de mais de 2 mil prisões registradas em todo o território iraniano.
Relatos de testemunhas citados por agências internacionais descrevem cenas de forte tensão em Teerã, com bairros inteiros ecoando gritos de protesto vindos das sacadas e milhares de pessoas ocupando as ruas. Além das críticas diretas à República Islâmica, também foram registrados slogans favoráveis ao retorno da monarquia, evidenciando a profundidade da crise política e a contestação crescente ao atual regime.
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