Técnicos de enfermagem são investigados por provocar mortes em UTI com injeções de desinfetante

Polícia do DF investiga mortes de três pacientes após uso de substância de limpeza em hospital de Taguatinga

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga três técnicos de enfermagem suspeitos de provocar a morte de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. De acordo com as investigações, ao menos três pessoas morreram após receberem injeções de desinfetante hospitalar, substância utilizada para limpeza de ambientes e superfícies, aplicada diretamente na corrente sanguínea das vítimas.

Em depoimento, um dos investigados afirmou que as aplicações teriam sido feitas para “diminuir o sofrimento” dos pacientes. No entanto, a polícia considera a justificativa incompatível com as provas reunidas até o momento e aponta para uma conduta criminosa grave, premeditada e fora de qualquer protocolo médico.

Uso indevido do sistema médico para facilitar os crimes

Segundo o delegado Maurício Iacozzilli, responsável pela investigação, o principal suspeito se aproveitava do acesso irregular ao sistema do hospital. Ele utilizava computadores deixados logados por médicos para emitir prescrições falsas, sem autorização ou avaliação clínica.

Com as receitas em mãos, o técnico retirava medicamentos da farmácia da UTI e preparava seringas, que eram escondidas no bolso do jaleco. Inicialmente, ele teria tentado provocar paradas cardíacas com medicamentos, mas, diante da dificuldade em obter o efeito desejado, passou a usar desinfetante hospitalar, produto altamente tóxico quando injetado no corpo humano.

Desinfetante era aplicado repetidamente até causar a morte

Conforme detalhou o delegado, o método seguia um padrão. O técnico entrava no quarto da UTI e aplicava uma primeira injeção na vítima. Poucos segundos depois, o paciente sofria uma parada cardiorrespiratória, sendo reanimado pela equipe médica.

Na sequência, o suspeito ia até a pia do próprio quarto da UTI, abria um frasco de desinfetante hospitalar, colocava o produto em um copo e preenchia diversas seringas com a substância. Mais de dez injeções de desinfetante eram aplicadas diretamente na vítima, até que uma nova parada cardíaca ocorresse — desta vez fatal.

Outros profissionais acompanhavam as aplicações

Além do autor principal, outras duas técnicas de enfermagem são investigadas por possível participação ou conivência. Uma delas estava em período de treinamento havia cerca de cinco meses e recebia orientações diretas do principal suspeito.

A terceira técnica, embora lotada em outro setor do hospital, estava presente em todos os episódios investigados. Segundo a polícia, ela permanecia no leito enquanto o desinfetante era aplicado nas vítimas, sem acionar protocolos de emergência ou alertar outros profissionais.

Hospital identificou mortes suspeitas e acionou autoridades

As irregularidades vieram à tona após o hospital registrar duas mortes suspeitas no mesmo dia. Um dos pacientes não apresentava histórico de doenças cardíacas, o que levantou suspeitas internas.

A direção do hospital instaurou um comitê de auditoria, analisou imagens das câmeras de segurança e identificou condutas incompatíveis com os procedimentos médicos. O caso foi comunicado à Polícia Civil em 23 de dezembro.

Investigação pode se estender a outros hospitais

Apesar de os suspeitos não possuírem antecedentes criminais, a polícia decidiu agir rapidamente após descobrir que um deles também atuava em uma UTI infantil. Após a conclusão do inquérito atual, um novo procedimento será aberto para verificar se o grupo pode ter causado outras mortes em hospitais onde trabalhou anteriormente.

Motivação permanece sob apuração

A motivação dos crimes ainda não foi totalmente esclarecida. Aparelhos celulares e computadores dos suspeitos foram apreendidos com autorização judicial e passarão por perícia.

Segundo a polícia, a análise do material eletrônico pode revelar mensagens, combinações entre os envolvidos ou outros elementos que ajudem a esclarecer por que o desinfetante hospitalar foi utilizado como meio para provocar a morte dos pacientes.

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