Privação de descanso adequado compromete funções cognitivas, metabolismo e saúde cardiovascular em todas as idades
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Dormir pouco vai muito além do cansaço no dia seguinte. A privação de sono, quando se torna frequente, está associada a uma série de impactos negativos à saúde física e mental, incluindo prejuízos à memória, maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, transtornos emocionais e até acidente vascular cerebral (AVC).
Especialistas destacam que o sono é um processo biológico essencial para o equilíbrio do organismo. Durante o descanso noturno, o corpo regula hormônios, consolida memórias, fortalece o sistema imunológico e mantém o funcionamento adequado do coração e do cérebro. Quando esse processo é interrompido ou insuficiente, os efeitos podem ser progressivos e silenciosos.
Quantas horas de sono são necessárias?
A necessidade de sono varia conforme a idade, mas dormir menos do que o recomendado de forma contínua pode trazer consequências à saúde. As orientações gerais indicam:
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Bebês (0 a 11 meses): entre 12 e 17 horas por dia, incluindo cochilos
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Crianças pequenas (1 a 2 anos): de 11 a 14 horas
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Pré-escolares (3 a 5 anos): de 10 a 13 horas
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Crianças em idade escolar (6 a 13 anos): de 9 a 11 horas
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Adolescentes (14 a 17 anos): de 8 a 10 horas
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Adultos (18 a 64 anos): de 7 a 9 horas
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Idosos (a partir de 65 anos): de 7 a 8 horas
Impactos no cérebro e na memória
Durante o sono profundo e o sono REM, o cérebro consolida informações adquiridas ao longo do dia, transformando experiências em memórias de longo prazo. A falta de sono compromete esse processo, dificultando a aprendizagem, a concentração e a tomada de decisões.
Além disso, a privação de descanso prejudica o controle cognitivo — capacidade de organizar pensamentos, emoções e comportamentos — o que pode resultar em maior impulsividade, irritabilidade e dificuldade de foco.
Riscos metabólicos e cardiovasculares
Dormir pouco afeta o equilíbrio hormonal do organismo, interferindo na regulação da fome e da saciedade. Esse desequilíbrio favorece o aumento do apetite, a resistência à insulina e alterações nos hormônios leptina e grelina, associados ao ganho de peso e à obesidade.
Estudos também associam a privação crônica de sono ao aumento da pressão arterial, ao desenvolvimento do diabetes tipo 2 e a alterações inflamatórias que elevam o risco de doenças cardíacas, como infarto e AVC.
Pesquisas populacionais indicam que pessoas que dormem menos de cinco horas por noite apresentam risco significativamente maior de hipertensão e eventos cardiovasculares quando comparadas àquelas que mantêm um sono regular e adequado.
Saúde mental e envelhecimento cerebral
A falta de sono afeta diretamente o equilíbrio emocional. Ansiedade, irritabilidade, alterações de humor e maior vulnerabilidade à depressão estão entre os efeitos mais comuns. Em longo prazo, a privação de sono também tem sido associada a um risco maior de declínio cognitivo e demência.
Pesquisadores apontam que o sono auxilia na eliminação de resíduos metabólicos do cérebro, incluindo proteínas associadas a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Quando esse processo é comprometido, o acúmulo dessas substâncias pode acelerar o envelhecimento cerebral.
Como melhorar a qualidade do sono
Especialistas recomendam hábitos simples que ajudam a melhorar o descanso noturno:
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Manter horários regulares para dormir e acordar
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Criar um ambiente silencioso, escuro e confortável no quarto
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Evitar telas e aparelhos eletrônicos antes de dormir
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Reduzir o consumo de cafeína e álcool à noite
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Evitar refeições pesadas no período noturno
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Praticar atividade física regularmente
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Priorizar uma alimentação equilibrada
Quando a dificuldade para dormir é persistente, a orientação é procurar um profissional de saúde para avaliar possíveis distúrbios do sono, como insônia, apneia ou outros fatores que possam estar interferindo na qualidade do descanso.
Dormir bem não é luxo, mas uma necessidade fundamental para a saúde e o bem-estar ao longo da vida.
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