Condenado à morte aos 19 anos em um julgamento marcado por racismo, coerção policial e irregularidades, Tommy Lee Walker teve o erro histórico oficialmente reconhecido pelo condado de Dallas
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Quase sete décadas após ter sido condenado e executado de forma injusta, o norte-americano Tommy Lee Walker foi oficialmente declarado inocente pelas autoridades do condado de Dallas, no Texas. Negro e com apenas 19 anos à época, Walker recebeu a pena de morte em um processo profundamente marcado por racismo estrutural, confissões arrancadas sob coerção e graves falhas judiciais.
Walker foi acusado do assassinato de Venice Parker, uma balconista branca que, em 1953, foi estuprada e esfaqueada enquanto aguardava um ônibus após sair do trabalho em uma loja de brinquedos. Mesmo ferida, a mulher conseguiu pedir ajuda a um motorista e foi levada a um hospital, onde morreu em decorrência dos ferimentos. Estudos do Innocence Project indicam que Parker não conseguiu se comunicar antes da morte, já que teve a garganta cortada. Ainda assim, um policial afirmou que a vítima teria identificado o agressor como um homem negro pouco antes de morrer.
Documentos do tribunal de apelação de 1956, que rejeitou o recurso da defesa, apontam que duas testemunhas afirmaram ter visto Walker nas proximidades do local naquela noite — nenhuma delas presenciou o crime. A prisão ocorreu quatro meses depois e foi conduzida por Will Fritz, então chefe do Departamento de Homicídios da Polícia de Dallas, posteriormente identificado como membro da Ku Klux Klan.
Desde o início, Walker sustentou um álibi: ele estava em um hospital acompanhando o nascimento do filho. Dez testemunhas confirmaram essa versão durante o julgamento. Ainda assim, o jovem foi submetido a longas sessões de interrogatório, sob ameaças de execução na cadeira elétrica e diante da apresentação de provas inexistentes. Sob extrema pressão psicológica, acabou assinando duas confissões.
Segundo o Innocence Project, a primeira confissão apresentava inconsistências graves, enquanto a segunda foi desmentida pelo próprio Walker poucos minutos após ser assinada. Em nenhum momento ele confessou o estupro da vítima. Apesar disso, o material foi usado para sustentar a condenação.
O caso também foi conduzido pelo então promotor distrital Henry Wade, figura conhecida por sua atuação controversa e por supervisionar outras condenações injustas de homens negros. Durante o julgamento, provas favoráveis à defesa teriam sido omitidas, enquanto alegações falsas foram apresentadas como fatos.
Mesmo diante das evidências e da insistência de Walker em sua inocência, a condenação foi mantida. Fritz chegou a prometer que a assinatura da confissão poderia evitar a execução, promessa que nunca se concretizou. Em 1956, Tommy Lee Walker foi executado na cadeira elétrica.
A reavaliação recente do caso reuniu esforços da Unidade de Integridade de Condenações da Promotoria do Condado de Dallas, do Innocence Project e do Projeto de Direitos Civis e Justiça Restaurativa da Faculdade de Direito da Universidade Northeastern. Em 21 de janeiro deste ano, o Conselho de Comissários de Dallas aprovou uma resolução que reconhece oficialmente a inocência de Walker e admite que ele foi condenado injustamente.
“Foi difícil crescer sem um pai”, declarou Edward Smith, filho único de Walker. “Na escola, as crianças falavam sobre seus pais, e eu não tinha nada a dizer. Isso não vai trazê-lo de volta, mas agora o mundo sabe o que sempre soubemos: ele era inocente. E isso traz um pouco de paz.”
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