Levantamento do Ministério da Saúde revela aumento expressivo das doenças crônicas, impulsionado por sedentarismo, má alimentação e envelhecimento da população
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O número de brasileiros diagnosticados com diabetes mais que dobrou nas últimas quase duas décadas, registrando um crescimento de 135% entre 2006 e 2024, segundo dados do Ministério da Saúde. O avanço da doença acompanha uma tendência preocupante de aumento das doenças crônicas não transmissíveis no país, como hipertensão arterial e obesidade, que também apresentaram elevação significativa no período.
As informações fazem parte do sistema de vigilância por inquérito telefônico (Vigitel), que monitora fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais brasileiras e no Distrito Federal. De acordo com o levantamento, a proporção de adultos que relataram diagnóstico médico de diabetes passou de cerca de 5,5% em 2006 para mais de 13% em 2024, refletindo mudanças no perfil de saúde da população.
A hipertensão arterial, outro importante fator de risco para doenças cardiovasculares, também segue em crescimento. Atualmente, aproximadamente um em cada quatro adultos brasileiros declara ter recebido diagnóstico da condição. Já a obesidade apresentou um dos avanços mais rápidos: em menos de 20 anos, a taxa praticamente dobrou, atingindo cerca de 24% da população adulta.
Especialistas apontam que o aumento dessas doenças está diretamente relacionado a hábitos de vida pouco saudáveis, como alimentação rica em produtos ultraprocessados, consumo excessivo de sal, açúcar e gorduras, além do baixo nível de atividade física. O envelhecimento populacional também contribui para esse cenário, uma vez que a prevalência dessas condições tende a aumentar com a idade.
Outro fator de atenção é o impacto social e econômico das doenças crônicas. O diabetes e a hipertensão estão entre as principais causas de complicações como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal e amputações, além de representarem uma pressão crescente sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), tanto em custos assistenciais quanto em demanda por tratamentos contínuos.
O Ministério da Saúde destaca que, apesar do avanço das doenças, houve melhorias no acesso ao diagnóstico e ao tratamento, o que também ajuda a explicar parte do aumento dos números. Ainda assim, a pasta reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção, com foco na promoção da alimentação saudável, incentivo à prática regular de atividades físicas e fortalecimento da atenção primária à saúde.
Campanhas de educação em saúde, políticas públicas voltadas à redução do consumo de alimentos ultraprocessados e ao estímulo a ambientes mais saudáveis são consideradas estratégicas para frear o crescimento das doenças crônicas no país. Autoridades de saúde alertam que, sem mudanças estruturais e comportamentais, a tendência é de continuidade do avanço desses problemas nas próximas décadas.
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