Identificado no fim dos anos 1990, o patógeno já provocou surtos em diferentes países asiáticos e segue sob vigilância internacional por sua alta letalidade e ausência de vacina
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O recente registro de casos do vírus Nipah na Índia reacendeu o alerta das autoridades sanitárias, mas a doença está longe de ser desconhecida pela ciência. Descoberto há quase três décadas, o vírus já causou surtos recorrentes na Ásia e é monitorado de perto por organismos internacionais devido ao seu potencial de gravidade e impacto na saúde pública.
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez entre 1998 e 1999, durante um surto de encefalite ocorrido na Malásia. À época, centenas de pessoas foram infectadas, principalmente trabalhadores ligados à criação de suínos, resultando em mais de cem mortes. Investigações epidemiológicas apontaram que o vírus teve origem em morcegos frugívoros e chegou aos humanos por meio de porcos, que atuaram como hospedeiros intermediários.
Após o episódio inicial, a Malásia não voltou a registrar novos surtos. No entanto, o vírus passou a ser detectado em outros países do sul e sudeste asiático. Bangladesh tornou-se um dos principais focos recorrentes da doença, com registros quase anuais desde o início dos anos 2000. Nesses casos, a transmissão esteve frequentemente associada ao consumo de seiva de palma contaminada por secreções de morcegos.
Na Índia, o Nipah também não é uma novidade. O país já enfrentou surtos anteriores nos estados de Bengala Ocidental e Kerala, em diferentes anos, alguns deles com altas taxas de mortalidade. Os episódios mais recentes levaram as autoridades locais a intensificar medidas de vigilância, rastreamento de contatos e isolamento de pacientes para conter a propagação do vírus.
O Nipah é classificado como um vírus zoonótico, ou seja, circula naturalmente entre animais e pode ser transmitido aos seres humanos. Os morcegos frugívoros são considerados o principal reservatório natural do vírus, mas a infecção pode ocorrer por contato direto com animais infectados ou pela ingestão de alimentos contaminados. A transmissão entre pessoas é possível, embora seja considerada limitada e geralmente restrita a contatos próximos.
Os sintomas iniciais da infecção incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e vômitos. Em casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para encefalite, convulsões e outras complicações neurológicas. A taxa de letalidade varia conforme o surto e a capacidade de resposta do sistema de saúde, podendo atingir níveis elevados.
Até o momento, não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra o vírus Nipah. O atendimento aos pacientes baseia-se em cuidados de suporte e no isolamento rigoroso dos casos suspeitos ou confirmados. Por essa razão, o vírus integra a lista de patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde para pesquisa e desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e tratamento.
Embora avaliações recentes indiquem que o risco de disseminação internacional seja considerado baixo, especialistas alertam que a recorrência de surtos reforça a necessidade de vigilância constante. Mudanças ambientais, avanço da urbanização e maior contato entre humanos e animais silvestres são fatores que podem favorecer o surgimento de novas infecções.
Dessa forma, o reaparecimento do vírus Nipah não representa uma nova ameaça, mas sim a continuidade de um desafio conhecido da saúde pública global, que exige atenção permanente, investimento em pesquisa científica e fortalecimento dos sistemas de prevenção e resposta a doenças infecciosas.
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