Cirurgia inédita realizada na França redefine os limites da medicina reconstrutiva e devolve a Felix Gretarsson o gesto mais simples — e poderoso — de todos: o abraço
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Após passar 23 anos sem os braços em decorrência de um grave acidente elétrico, o islandês Felix Gretarsson entrou para a história da medicina ao se tornar o primeiro paciente do mundo a receber um transplante duplo de braços e ombros com sucesso. A cirurgia inédita, realizada em Lyon, na França, representa um marco na cirurgia reconstrutiva e abre novas perspectivas para pessoas com amputações complexas em todo o mundo.
Do desespero à esperança: uma jornada de 23 anos
A vida de Felix Gretarsson mudou radicalmente em 1998, quando um acidente de trabalho envolvendo uma descarga elétrica de aproximadamente 11 mil volts causou a amputação completa de seus dois braços e danos severos aos ombros. O trauma resultou em mais de 50 cirurgias, longos períodos de hospitalização e um coma induzido.
Durante mais de duas décadas, Felix precisou se adaptar a uma rotina extremamente limitada, dependente de auxílio para tarefas básicas do dia a dia. Ainda assim, a esperança de recuperar parte de sua autonomia nunca foi abandonada.
A aposta em um procedimento nunca antes tentado
A virada aconteceu quando Felix tomou conhecimento do trabalho do cirurgião francês Jean-Michel Dubernard, referência mundial em transplantes compostos e responsável pelo primeiro transplante de mão realizado com sucesso no mundo, em 1998. Convencido de que aquela poderia ser sua única chance, Felix mudou-se para a França e iniciou um longo processo de avaliações médicas, físicas e psicológicas.
O desafio era sem precedentes: nunca havia sido realizado um transplante que incluísse braços e ombros simultaneamente, devido à extrema complexidade anatômica, vascular, neurológica e imunológica envolvida.
15 horas que entraram para a história da medicina
Em 12 de janeiro de 2021, no Hospital Édouard Herriot, em Lyon, uma equipe multidisciplinar composta por dezenas de especialistas deu início a uma cirurgia que duraria cerca de 15 horas.
Durante o procedimento, cada estrutura — ossos, artérias, veias, músculos, tendões e nervos — foi cuidadosamente reconectada. A inclusão dos ombros no transplante exigiu técnicas inéditas e elevou o risco cirúrgico, tornando o feito ainda mais extraordinário.
Ao final da operação, Felix Gretarsson se tornava oficialmente o primeiro ser humano a receber um transplante duplo completo de braços e ombros com sucesso.
Reabilitação lenta, mas cheia de conquistas
A recuperação foi marcada por avanços graduais. Pequenos movimentos nos dedos, o retorno progressivo da sensibilidade e a flexão dos cotovelos passaram a surgir com o processo de reinervação, no qual os nervos do paciente crescem e se conectam aos nervos dos membros transplantados — um avanço que ocorre, em média, a 1 milímetro por dia.
Com o passar dos meses, os resultados superaram as expectativas médicas. Felix voltou a realizar atividades cotidianas como escovar os dentes, dirigir um carro adaptado, frequentar a academia e, segundo ele próprio, viver o momento mais aguardado de sua vida: abraçar os filhos e os netos novamente.
Um marco para a medicina e para a esperança humana
Mais do que uma história de superação pessoal, o caso de Felix Gretarsson representa um avanço histórico na cirurgia reconstrutiva e nos transplantes compostos, ampliando as possibilidades de tratamento para pacientes com amputações extensas e complexas.
Especialistas destacam que, embora ainda seja um procedimento raro e de alto risco, o sucesso da cirurgia abre caminho para novas abordagens terapêuticas no futuro.
A trajetória de Felix, amplamente compartilhada em redes sociais e documentários, transformou-se em símbolo de resiliência, inovação científica e da capacidade da medicina moderna de redefinir o que antes parecia impossível.
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