Chikungunya: como se proteger da doença que preocupa autoridades e pode causar nova epidemia global

Vírus transmitido pelo Aedes aegypti avança com as mudanças climáticas, urbanização e aumento das viagens internacionais
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A chikungunya, doença viral transmitida principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, voltou ao centro das preocupações das autoridades sanitárias globais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco crescente de uma nova epidemia global, impulsionada pelas mudanças climáticas, pelo crescimento urbano desordenado e pelo aumento expressivo da mobilidade internacional.

Segundo dados consolidados por organismos internacionais de saúde, até agosto de 2025 foram registrados cerca de 317 mil casos e 135 mortes em pelo menos 16 países da África, Américas, Ásia e Europa. Nas Américas, o Brasil concentra a maior parte dos casos e óbitos, respondendo por aproximadamente 120 mil infecções e 106 mortes, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Doença endêmica no Brasil

A chikungunya é considerada uma doença endêmica no Brasil, com maior incidência durante os períodos chuvosos e em regiões de clima quente. Em 2025, o país notificou mais de 125 mil casos e 121 óbitos, conforme dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde.

Os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia concentraram os maiores números de registros, cenário favorecido pelas altas temperaturas, elevada umidade e condições ambientais propícias à proliferação do mosquito transmissor.

Para a OMS, a persistência do vírus no território brasileiro reflete a ampla adaptação do vetor ao ambiente urbano, o que mantém o risco elevado mesmo fora dos períodos de grandes surtos.

Expansão global e impacto do clima

A OMS aponta que 119 países já registraram transmissão do vírus da chikungunya, colocando cerca de 5,6 bilhões de pessoas em risco em todo o mundo. As mudanças climáticas têm desempenhado papel central nesse avanço, permitindo que o mosquito Aedes albopictus se expanda para regiões antes consideradas inadequadas à sua sobrevivência.

O aumento das temperaturas médias globais e a ocorrência mais frequente de eventos climáticos extremos criam ambientes favoráveis à reprodução do mosquito, ampliando o alcance geográfico da doença para áreas da Europa, América do Norte e outras regiões de clima temperado.

Sintomas: como diferenciar chikungunya e dengue

A chikungunya apresenta sintomas semelhantes aos da dengue, incluindo febre alta, dor de cabeça, dores musculares, náuseas, mal-estar e fadiga intensa. No entanto, a principal característica distintiva da chikungunya é a dor intensa e prolongada nas articulações, que pode comprometer severamente a mobilidade.

De acordo com a OMS, essa dor articular pode persistir por semanas, meses ou até anos, tornando-se crônica em uma parcela significativa dos pacientes, com impacto direto na qualidade de vida e na capacidade laboral.

Diagnóstico e evolução da doença

O diagnóstico da chikungunya é realizado por meio da avaliação clínica associada a exames laboratoriais. Nos primeiros dias da infecção, testes moleculares são capazes de identificar diretamente o vírus no sangue. Após esse período, exames sorológicos detectam anticorpos produzidos pelo organismo.

Embora a maioria dos casos evolua de forma leve, a OMS alerta para o risco de cronificação da dor articular, que pode persistir por até 36 meses, especialmente em pessoas com doenças crônicas pré-existentes.

Grupos mais vulneráveis

Segundo a OMS, idosos, recém-nascidos, gestantes e pessoas com doenças crônicas apresentam maior risco de complicações. Dados epidemiológicos indicam ainda maior incidência da doença em mulheres, o que pode estar associado a fatores biológicos e também à maior procura por atendimento médico.

Vacinação representa avanço, mas prevenção segue essencial

Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a primeira vacina contra a chikungunya no Brasil, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva. Para a OMS, a vacinação será uma ferramenta estratégica no controle da doença, especialmente em países endêmicos.

No entanto, a organização reforça que a imunização não substitui as medidas de controle do mosquito, consideradas fundamentais para a prevenção de surtos.

Como se proteger da chikungunya

A OMS recomenda a adoção rigorosa de medidas preventivas para reduzir o risco de infecção:

  • Eliminar recipientes que possam acumular água parada

  • Manter caixas-d’água bem vedadas

  • Limpar calhas, ralos e bandejas de ar-condicionado regularmente

  • Usar repelentes e roupas que cubram braços e pernas

  • Instalar telas em portas e janelas

  • Descartar corretamente pneus, garrafas e entulhos

Alerta permanente

Para a Organização Mundial da Saúde, a chikungunya deixou de ser uma ameaça regional e se consolidou como um desafio global de saúde pública, impulsionado pelas transformações ambientais e sociais do século XXI.

A entidade reforça que vigilância epidemiológica contínua, prevenção, informação de qualidade e cooperação internacional são fundamentais para evitar que a doença se transforme na próxima grande epidemia mundial.

  • Leia mais:

https://gnewsusa.com/2026/02/surto-de-sarampo-nos-eua-acende-alerta-para-risco-de-danos-cerebrais-irreversiveis-em-criancas/

https://gnewsusa.com/2026/02/seahawks-vencem-patriots-e-conquistam-o-super-bowl-lx/

https://gnewsusa.com/2026/02/caso-master-avanca-e-gera-preocupacao-no-stf/

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*