Defesa tentou substituir juízes alegando falta de imparcialidade, mas pedido foi negado; ex-deputada está presa em Roma desde julho de 2025
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A Justiça da Itália deve retomar nesta quarta-feira (11) o julgamento do pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil. Presa em Roma desde 29 de julho de 2025, Zambelli responde a dois processos criminais e foi condenada, em decisões definitivas, por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
O processo de extradição havia sido temporariamente interrompido após a defesa da ex-parlamentar apresentar um pedido de substituição dos juízes responsáveis pelo julgamento. Os advogados alegaram suposta falta de imparcialidade do colegiado, argumento que foi rejeitado nesta terça-feira (10) pela 1ª Seção Penal da Corte de Apelação da Itália.
A decisão manteve a composição do tribunal, formado pelas magistradas Noemi Coraggio, que preside a sessão, Vilma Passamonti e Ilaria Amaru. O julgamento ocorre a portas fechadas, conforme prevê a legislação italiana para processos dessa natureza.
A sessão desta terça começou com atraso em razão da ausência de uma intérprete, que não havia sido previamente comunicada sobre a audiência. Para evitar novo adiamento, a corte providenciou uma substituta de forma emergencial, permitindo a continuidade dos trabalhos.
Em nota à imprensa, o advogado da ex-deputada, Fabio Pagnozzi, afirmou que irá recorrer da decisão. Segundo ele, a defesa tem prazo de até 15 dias para apresentar novo recurso às instâncias superiores da Justiça italiana.
Zambelli deixou o Brasil após ser condenada a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do CNJ. Posteriormente, recebeu uma segunda condenação, de cinco anos e três meses, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, em episódio ocorrido durante o período eleitoral.
O pedido formal de extradição foi encaminhado pelo Ministério da Justiça do Brasil ao Ministério do Interior da Itália em 12 de junho de 2025. Em outubro do mesmo ano, o Ministério Público italiano manifestou-se favoravelmente ao envio da ex-parlamentar ao Brasil.
Em dezembro, Zambelli renunciou ao mandato de deputada federal após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que o suplente assumisse o cargo no prazo de 48 horas.
A retomada do julgamento é considerada decisiva para o desfecho do caso. Caso a Justiça italiana aprove a extradição, caberá ao governo da Itália homologar a decisão, o que pode abrir caminho para o retorno da ex-deputada ao Brasil, onde deverá cumprir as penas impostas.
O processo segue sob acompanhamento direto das autoridades brasileiras, que mantêm articulação diplomática com o governo italiano para assegurar o andamento dos trâmites legais.
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