Casos de chikungunya disparam nas Américas em 2026 e Opas emite alerta epidemiológico

Aumento contínuo de infecções preocupa autoridades de saúde, especialmente em países que estavam há quase uma década sem transmissão local; mudanças climáticas e avanço do mosquito Aedes aegypti intensificam o risco
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta epidemiológico após identificar crescimento consistente dos casos de chikungunya nas Américas no início de 2026, revertendo uma tendência de baixa observada nos últimos anos. A retomada da transmissão em territórios onde o vírus não circulava há quase uma década, aliada às condições ambientais favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, acendeu o sinal vermelho para os sistemas de saúde da região.

Retorno da doença em países sem circulação há anos

Segundo a Opas, países como Guiana, Guiana Francesa e Suriname, que não registravam transmissão local de chikungunya há cerca de dez anos, voltaram a reportar casos no início de 2026. Esse reaparecimento preocupa especialistas, pois indica expansão geográfica do vírus e aumento do risco de surtos regionais.

A agência destacou que, embora o total de casos nas Américas em 2025 tenha sido inferior ao registrado em 2024, o crescimento localizado em áreas específicas da América do Sul e do Caribe aponta para uma nova fase de disseminação, exigindo vigilância constante.

Números globais e regionais

Dados consolidados pela Opas revelam que, entre 1º de janeiro e 10 de dezembro de 2025, foram registrados 502.264 casos de chikungunya em todo o mundo, com 208.335 confirmações laboratoriais e 186 mortes, distribuídas em 41 países e territórios.

Nas Américas, o cenário também preocupa:

  • 313.132 notificações em 2025

  • 113.926 casos confirmados

  • 170 mortes em 18 países e um território

O início de 2026 mostra nova tendência de crescimento, sobretudo em regiões tropicais, onde a presença do mosquito transmissor é constante.

Clima e ambiente favorecem a disseminação

A Opas aponta que temperaturas elevadas, chuvas irregulares e eventos climáticos extremos têm criado condições ideais para a reprodução do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da chikungunya, além da dengue e do vírus zika.

Esses fatores ambientais aceleram o ciclo de vida do vetor, aumentam sua densidade populacional e ampliam o risco de transmissão, especialmente em áreas urbanas com deficiência em saneamento básico e acúmulo de água parada.

Circulação de diferentes genótipos aumenta risco de surtos

Outro fator de preocupação é a circulação simultânea dos genótipos asiático e ECSA (Leste, Centro e Sul da África) do vírus da chikungunya. Essa diversidade genética pode favorecer surtos mais intensos e quadros clínicos mais graves, exigindo maior capacidade de detecção laboratorial e resposta rápida dos serviços de saúde.

A persistência do vírus em zonas endêmicas, combinada com a movimentação populacional e o aumento das viagens internacionais, amplia o risco de propagação entre países.

“Nova fase de ressurgimento”, alerta Opas

O diretor do Departamento de Prevenção, Controle e Eliminação de Doenças Transmissíveis da Opas, Sylvain Aldighieri, afirmou que a chikungunya, que se espalhou amplamente pelas Américas a partir de 2013, entra agora em uma nova fase de ressurgimento, especialmente na Zona Intertropical.

Após anos de baixa circulação, o aumento recente indica que a doença voltou a encontrar condições ideais para se expandir, exigindo respostas rápidas, integradas e coordenadas.

Reforço na vigilância e no atendimento clínico

Entre as principais recomendações da Opas estão:

  • Fortalecimento da vigilância epidemiológica e laboratorial para detectar precocemente novos casos;

  • Capacitação das equipes de saúde para diagnóstico rápido e manejo clínico adequado;

  • Atenção especial a grupos vulneráveis, como gestantes, crianças menores de um ano, idosos e pessoas com doenças crônicas;

  • Melhoria da capacidade hospitalar para lidar com possíveis surtos simultâneos de arboviroses.

Profissionais de saúde também devem considerar a chikungunya no diagnóstico diferencial de febre, dores articulares e erupções cutâneas, juntamente com doenças como dengue, zika e até sarampo.

Controle do mosquito é prioridade

A Opas reforça que o combate ao mosquito é a principal estratégia para conter a doença, destacando ações como:

  • Eliminação de recipientes que acumulam água;

  • Vedação de caixas d’água;

  • Limpeza frequente de calhas e ralos;

  • Uso de inseticidas em áreas de alto risco;

  • Campanhas educativas permanentes.

Papel fundamental das comunidades

A agência enfatiza que a participação da população é decisiva para interromper a cadeia de transmissão. Medidas simples podem ter grande impacto, como:

  • Uso de repelentes;

  • Instalação de telas e mosquiteiros;

  • Uso de roupas que cubram braços e pernas;

  • Evitar exposição ao mosquito ao amanhecer e ao entardecer.

A eliminação de criadouros dentro das residências e nos arredores continua sendo a ação mais eficaz para reduzir a presença do vetor.

Monitoramento contínuo

A Opas informou que seguirá monitorando de perto a evolução da chikungunya nas Américas, prestando apoio técnico aos países, fortalecendo sistemas de vigilância, capacitando profissionais e orientando políticas públicas voltadas ao controle do mosquito.

O objetivo é reduzir o impacto da chikungunya e de outras arboviroses, protegendo populações vulneráveis e evitando novos surtos de grandes proporções.

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