Surto histórico de sarampo nos EUA faz clínicas atenderem crianças dentro de carros

Foto: representação IA
Explosão de casos na Carolina do Sul leva médicos a criar triagem externa para conter contágio e proteger bebês ainda sem vacinação completa
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O maior surto de sarampo registrado nos Estados Unidos em mais de 30 anos está obrigando clínicas a adotarem medidas emergenciais para conter a transmissão de um dos vírus mais contagiosos do mundo. Na Carolina do Sul, profissionais de saúde passaram a atender crianças dentro de carros, no estacionamento das unidades médicas, como forma de proteger bebês, pacientes vulneráveis e equipes de atendimento.

Desde outubro, o estado já contabiliza mais de 930 casos confirmados e cerca de 20 internações, transformando cidades como Spartanburg no epicentro da crise sanitária. Diante da escalada rápida das infeções, clínicas pediátricas estruturaram sistemas de triagem ao ar livre para evitar que pacientes com sintomas entrem nas salas de espera, onde o risco de disseminação é elevado.

Na Parkside Pediatrics, em Spartanburg, médicos realizam avaliações iniciais diretamente nos veículos dos pacientes. A equipe procura sinais clássicos da doença, como febre alta, erupções cutâneas, tosse e irritação nos olhos. Segundo o pediatra Justin Moll, responsável pela iniciativa, a medida tornou-se indispensável para impedir a propagação do vírus entre crianças pequenas, muitas ainda sem idade suficiente para completar o esquema vacinal.

“Estamos vivendo uma situação sem precedentes. Nunca atendemos tantos casos de sarampo ao mesmo tempo. A triagem externa é hoje uma das únicas formas eficazes de proteger nossos pacientes mais frágeis”, afirma.

Resistência às vacinas impulsiona avanço da doença

Especialistas apontam que o avanço do surto está diretamente ligado à queda nas taxas de imunização infantil, intensificada após a pandemia de Covid-19. A desinformação nas redes sociais, aliada à crescente desconfiança em relação às vacinas, contribuiu para o aumento do número de crianças não imunizadas.

Atualmente, apenas 89% dos estudantes do condado de Spartanburg estão com o calendário vacinal em dia — abaixo do índice mínimo de 95%, considerado essencial para impedir a circulação do vírus. Em algumas escolas, a cobertura despencou para menos de 20%, criando um ambiente altamente favorável à transmissão.

Para médicos da região, a combinação entre hesitação vacinal, discursos políticos contrários às imunizações e circulação intensa de informações falsas está por trás da rápida disseminação da doença.

Atendimento móvel e mobilização comunitária

Com o aumento dos casos, autoridades de saúde instalaram unidades móveis em frente a igrejas, escolas e centros comunitários para ampliar o acesso ao diagnóstico, orientar famílias e intensificar campanhas de vacinação.

Farmacêuticos, profissionais de enfermagem, líderes religiosos e educadores também passaram a atuar diretamente na conscientização da população, alertando sobre os riscos do sarampo e a importância da imunização completa.

Apesar dos esforços, autoridades reconhecem que o desafio é grande. Durante surtos anteriores, o governo federal coordenava campanhas massivas de vacinação e estratégias integradas entre estados. Desta vez, a resposta tem sido considerada fragmentada e insuficiente por parte de especialistas em saúde pública.

Vírus altamente contagioso e risco elevado

O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas conhecidas. Transmitido por gotículas liberadas ao tossir, falar ou espirrar, o vírus pode permanecer suspenso no ar por até duas horas. Em comunidades com baixa cobertura vacinal, uma única pessoa infectada pode transmitir a doença para até 18 outras.

O protocolo de vacinação prevê duas doses da vacina tríplice viral, aplicada a partir dos 12 meses de idade, com reforço entre 4 e 6 anos. Quando administrado corretamente, o imunizante oferece proteção superior a 97%.

Alerta para novos surtos

Médicos temem que episódios como o da Carolina do Sul deixem de ser exceção e passem a se tornar frequentes em diferentes regiões do país.

“Se não houver uma retomada séria das campanhas de vacinação e combate à desinformação, veremos mais surtos, mais hospitalizações e um retrocesso perigoso no controle de doenças que já estavam praticamente erradicadas”, alerta Justin Moll.

Enquanto isso, clínicas seguem atendendo pacientes dentro de carros, numa tentativa urgente de conter um vírus que voltou a representar ameaça real à saúde pública norte-americana.

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