Vazamento da Petrobras na Foz do Amazonas levanta alerta sobre riscos à saúde ambiental e à fauna marinha

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Laudo técnico aponta toxicidade elevada do fluido derramado e possível impacto em ecossistemas sensíveis da Amazônia Azul
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

Um vazamento de fluido de perfuração ocorrido durante operações da Petrobras na bacia marítima da Foz do Amazonas acendeu um alerta entre especialistas ambientais e autoridades reguladoras. Segundo laudo técnico do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a substância derramada apresenta toxicidade suficiente para provocar danos relevantes à fauna marinha e ao equilíbrio do ecossistema local, uma das regiões mais biodiversas e sensíveis do planeta.

Derramamento de 18 mil litros e risco ecológico

O incidente ocorreu no início de janeiro de 2026, durante atividades de perfuração no bloco FZA-M-59, localizado a aproximadamente 160 quilômetros da costa do Amapá. De acordo com informações técnicas preliminares, cerca de 18 mil litros de fluido de perfuração à base de óleo foram liberados no ambiente marinho após falha em equipamentos de vedação de um navio-sonda.

O laudo do Ibama, que integra um processo administrativo ainda em tramitação, aponta que o produto possui viscosidade elevada e toxicidade suficiente para afetar organismos marinhos, comprometendo funções vitais como respiração, locomoção e alimentação. Espécies-chave da cadeia alimentar local podem ter sido impactadas, o que pode gerar efeitos em cascata sobre todo o ecossistema.

Impactos diretos na saúde ambiental

Especialistas alertam que, mesmo em volumes considerados moderados, esse tipo de vazamento pode causar danos prolongados à biodiversidade, sobretudo em regiões de elevada sensibilidade ecológica. A Foz do Amazonas abriga a maior faixa contínua de manguezais do mundo, desempenhando papel fundamental na regulação climática, na proteção costeira e na manutenção da vida marinha.

Estudos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) indicam a presença de pelo menos 99 espécies altamente sensíveis à atividade petrolífera na região, incluindo peixes, crustáceos, mamíferos marinhos e aves costeiras.

Multa, paralisação e exigência de correções

Após o vazamento, o Ibama aplicou multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras e determinou a suspensão temporária das operações por mais de 30 dias. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também realizou fiscalização no local e exigiu ajustes técnicos, substituição de componentes e reforço no treinamento da equipa operacional.

Segundo relatório técnico da ANP, falhas no preparo da equipa e o desgaste de peças expostas às fortes correntes marítimas contribuíram para o incidente. A agência autorizou o retorno gradual das atividades apenas após a implementação rigorosa das medidas de segurança.

Histórico de infrações ambientais

Levantamento baseado em dados públicos do Ibama aponta que, desde 2020, a Petrobras acumulou mais de 1.700 multas ambientais, totalizando cerca de R$ 335 milhões em penalidades. Os números reacendem o debate sobre a segurança operacional da exploração petrolífera em áreas ambientalmente sensíveis.

Para especialistas em direito ambiental, o caso reforça a necessidade de maior transparência e rigor nos processos de licenciamento e fiscalização.

Preocupação com novos acidentes

Dados do Sistema Nacional de Emergências Ambientais indicam que, entre 2020 e 2024, foram registrados 1.394 incidentes envolvendo plataformas e instalações petrolíferas no Brasil. Segundo o Ibama, mesmo vazamentos de pequeno porte, quando somados, podem provocar impactos cumulativos expressivos.

Ambientalistas alertam que a falta de estudos oceanográficos atualizados sobre as correntes marítimas na Foz do Amazonas dificulta a previsão da dispersão de contaminantes, aumentando os riscos ambientais.

Saúde pública e comunidades tradicionais

Além da fauna, o vazamento levanta preocupações relacionadas à saúde pública, especialmente para comunidades costeiras e povos tradicionais que dependem da pesca artesanal para subsistência. A possível contaminação da cadeia alimentar marinha pode afetar diretamente a segurança alimentar e sanitária dessas populações.

Organizações ambientais defendem a realização de monitoramento contínuo da qualidade da água, dos sedimentos e dos organismos marinhos, bem como a divulgação pública dos resultados.

O que diz a Petrobras

Em nota oficial, a Petrobras afirmou que atua em conformidade com as normas ambientais vigentes, que prestou todos os esclarecimentos necessários aos órgãos reguladores e que implementou as medidas técnicas exigidas para reforçar a segurança operacional.

Um debate que ultrapassa o setor energético

O episódio reacende discussões sobre exploração petrolífera em áreas de elevada sensibilidade ambiental, especialmente diante das mudanças climáticas, da necessidade de preservação da biodiversidade amazônica e da transição global para matrizes energéticas mais limpas.

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