Escritório Barci de Moraes firmou acordo de R$ 129 milhões por três anos com banco de Daniel Vorcaro
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Documentos apresentados pelo Banco Master à Receita Federal revelam uma disparidade significativa nos valores pagos a escritórios de advocacia contratados pela instituição financeira, controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. Entre os dados que mais chamam atenção está o montante destinado ao escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
De acordo com os registros, o Banco Master desembolsou cerca de R$ 265 milhões a 61 escritórios de advocacia ao longo de 2025. Desse total, aproximadamente R$ 40,1 milhões foram destinados exclusivamente ao escritório Barci de Moraes — valor que supera em R$ 13 milhões o segundo maior pagamento realizado pela instituição no mesmo período.
A diferença se torna ainda mais expressiva quando comparada a outros contratos. O escritório Rueda Advogados Associados, ligado ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda, recebeu cerca de R$ 1 milhão por uma atuação descrita como extensa, incluindo dezenas de pareceres, centenas de reuniões, mais de mil audiências, cerca de 20 mil protocolos e aproximadamente 400 acordos firmados.
Segundo os dados divulgados, o escritório Barci de Moraes recebeu cerca de 40 vezes mais, mesmo apresentando uma quantidade de atividades consideravelmente menor em termos numéricos.
A própria banca confirmou ter realizado 94 reuniões de trabalho e produzido 36 pareceres e opiniões legais, além de atuar na estruturação do departamento de compliance do banco.
Em nota, o escritório destacou que os serviços foram prestados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, por meio de uma equipe composta por 15 advogados, divididos em duas frentes jurídicas. A banca também afirmou que não atuou em nenhuma causa envolvendo o Banco Master no âmbito do STF.
Apesar das explicações, os valores elevados passaram a ser questionados no meio político. O senador Alessandro Vieira afirmou que há possível incompatibilidade entre os serviços descritos e os valores pagos.
Segundo ele, documentos analisados pela comissão reforçam essa percepção. “O descritivo dos serviços foi amplamente considerado incompatível com o valor pago”, declarou.
O caso intensifica o debate sobre transparência, governança e possíveis conflitos de interesse envolvendo figuras próximas ao topo do Judiciário brasileiro — tema que tem ganhado força especialmente entre setores que defendem maior rigor no controle institucional.
Para críticos, a situação evidencia a necessidade de investigações mais profundas e independentes, capazes de esclarecer se houve apenas uma contratação legítima de mercado ou se os valores indicam algo além do padrão esperado. Já aliados e defensores apontam que contratos privados, quando devidamente formalizados, não configuram irregularidade por si só.
Enquanto isso, o episódio segue repercutindo nos bastidores políticos e jurídicos, ampliando a pressão por explicações mais detalhadas e por uma apuração que traga respostas claras à sociedade.
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