Distância entre salário mínimo e custo de vida expõe falhas na política econômica.
Por Ana Mendes | GNEWSUSA
Em 2025, o Brasil vive um cenário de contradições e dificuldades econômicas. O salário mínimo estabelecido pelo governo de R$ 1.518, revela a profundidade da crise financeira enfrentada pelo país. De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), esse valor está longe de cobrir as necessidades básicas de uma família brasileira, conforme determinado pela Constituição Federal.
Um salário mínimo insuficiente para um custo de vida exorbitante
O Dieese realiza, desde 1994, uma análise mensal sobre o salário mínimo necessário para garantir condições dignas de vida a uma família de quatro pessoas.
Em novembro de 2024, a instituição calculou que o valor necessário para atender a todas as necessidades constitucionais – moradia, alimentação, saúde, educação, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social – era de R$ 6.959,31. Este valor é quase cinco vezes maior que o salário mínimo estipulado para 2025, evidenciando uma defasagem gritante entre o que a população recebe e o que realmente precisa para sobreviver.
Essa discrepância não é nova, mas tem se agravado nos últimos anos.
Em 2004, o Dieese já apontava que o salário mínimo necessário era quase dez vezes o valor legal da época. Agora, em 2025, a situação se mostra ainda mais crítica, com o custo de vida multiplicado em relação aos valores de duas décadas atrás, sem uma correlação justa no aumento do salário mínimo.
Poder de compra internacional em declínio
Além da inadequação interna, o salário mínimo brasileiro sofre também no cenário internacional. Em janeiro de 2024, o salário mínimo de R$ 1.412 correspondia a cerca de US$ 291.
Com o reajuste para R$ 1.518 em 2025, o valor em dólares caiu para aproximadamente US$ 245, uma redução de 16% no poder de compra em moeda estrangeira, resultado direto da desvalorização do real frente ao dólar.
Esse declínio do poder de compra internacional reflete não apenas uma gestão econômica ineficiente, mas também a vulnerabilidade do país no cenário global. A queda no valor do real sublinha a falta de políticas eficazes para estabilizar a moeda e proteger o poder de compra dos trabalhadores brasileiros.
A diferença entre o salário mínimo atual e o valor necessário para atender às necessidades básicas revela um descompasso preocupante na gestão econômica do país. O reajuste promovido pelo governo não acompanha o aumento do custo de vida, deixando milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade. A questão vai além de um simples ajuste salarial; ela reflete a necessidade de uma revisão profunda nas políticas econômicas, que devem priorizar o bem-estar da população.
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