Viagens de Toffoli a resort de familiares custaram R$ 548 mil aos cofres públicos

Gastos ocorreram enquanto irmãos do ministro eram sócios do empreendimento, depois vendido a fundo ligado ao caso Banco Master

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), à frente das investigações que envolvem o Banco Master tem provocado reações crescentes nos bastidores do Judiciário, da Polícia Federal e do meio político. O motivo não está apenas nas decisões recentes adotadas no processo, mas também em uma sequência de fatos anteriores que passaram a ser analisados sob nova ótica diante da gravidade das apurações.

Entre esses episódios está a relação institucional de Toffoli com o município de Ribeirão Claro, no norte do Paraná, onde está localizado o Tayayá Resort — empreendimento que, por anos, teve participação societária de irmãos e de um primo do ministro e que, posteriormente, foi negociado com fundo de investimento ligado ao grupo financeiro hoje investigado.

Título honorário e atuação institucional no município

Em 2017, a Câmara Municipal de Ribeirão Claro concedeu a Dias Toffoli o título de cidadão honorário da cidade. No decreto legislativo, os vereadores destacaram a “atenção constante” do magistrado ao município, associando sua atuação ao incentivo ao desenvolvimento local e ao fortalecimento do turismo regional.

O documento também faz referência direta à atuação do ministro em favor da manutenção da 23ª Zona Eleitoral da cidade, decisão considerada estratégica para a autonomia administrativa do município.

À época, o Tayayá Resort figurava como um dos principais empreendimentos turísticos da região, com participação acionária de empresas ligadas a Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, além de Mario Umberto Degani, seu primo.

Inauguração de fórum com nome do pai e uso de aeronave oficial

Dois anos após receber a homenagem, Toffoli voltou a Ribeirão Claro para a inauguração do Fórum Eleitoral Luiz Toffoli, nome dado em referência ao pai do ministro. O evento ocorreu em dezembro de 2019.

Para a viagem, o magistrado utilizou aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), partindo de Brasília com destino a Ourinhos (SP), município localizado a cerca de 40 quilômetros de Ribeirão Claro. O retorno à capital federal ocorreu três dias depois.

O uso de avião oficial para compromissos institucionais não é ilegal, mas os deslocamentos e a segurança dessas viagens custaram aos cofres públicos R$ 548 mil, reforçando críticas sobre o uso de recursos públicos em viagens ligadas a empreendimentos de familiares do ministro.

Fundo ligado ao caso Master e negócios cruzados

Registros oficiais indicam que um fundo de investimento adquiriu participação no Tayayá Resort por meio de aporte milionário. O fundo, administrado por empresa que já apareceu em investigações financeiras, também realizou investimentos relevantes em outras sociedades empresariais que tiveram como sócios parentes do ministro.

Relatoria marcada por decisões atípicas

Já no curso da investigação sobre o Banco Master, a condução do inquérito pelo ministro despertou reações incomuns dentro do sistema de Justiça. Em janeiro de 2026, Toffoli determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal fosse lacrado e enviado diretamente ao STF, contrariando o procedimento padrão.

A decisão provocou reação formal da direção da Polícia Federal e levou a Procuradoria-Geral da República a intervir. Após os questionamentos, o ministro recuou parcialmente, permitindo o envio do material à PGR e, posteriormente, o acesso da PF às provas.

Ainda assim, causou estranheza a decisão de o próprio relator indicar peritos específicos da corporação para acompanhar a análise do material apreendido, algo considerado atípico por investigadores experientes.

Críticas, sigilo e permanência no caso

O histórico recente inclui ainda viagens internacionais em aeronaves privadas na companhia de advogados ligados à defesa de investigados e a imposição inicial de sigilo amplo sobre os autos do processo, medidas que reforçaram a pressão pública sobre o Supremo.

Apesar das críticas, Dias Toffoli tem reiterado que não vê conflito de interesses e afirma que permanecerá na relatoria do caso, sustentando que suas decisões seguem critérios técnicos e legais.

Transparência em xeque

O conjunto de fatos — homenagens políticas, vínculos familiares com empreendimentos posteriormente adquiridos por fundos ligados ao caso investigado, gastos públicos significativos e decisões judiciais fora do padrão — reforça debates sobre transparência, ética e imparcialidade no STF, especialmente em um contexto de sucessivos escândalos financeiros no país.

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