Requerimentos serão votados em 24 de fevereiro sob promessa de “tolerância zero”
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A CPI do Crime Organizado no Senado Federal deve ampliar o alcance das investigações envolvendo o sistema financeiro após novos requerimentos apresentados pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES). O parlamentar solicitou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Reag Investimentos e de seu fundador, João Carlos Mansur, além da convocação do empresário para prestar depoimento.
Os pedidos também incluem a requisição, junto ao Banco Central, do processo administrativo completo que resultou na liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição que já está no centro de investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Ampliação do foco
Segundo Contarato, a inclusão da gestora no escopo da CPI decorre de menções em operações policiais recentes. A Operação Carbono Oculto investigou fraudes bilionárias no setor de combustíveis, com suspeitas de envolvimento de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Já na Operação Compliance Zero, a Polícia Federal apontou indícios de utilização de estruturas ligadas à gestora em apurações sobre desvios que poderiam ultrapassar R$ 12 bilhões no caso Banco Master.
O senador sustenta que as referências à empresa em investigações sobre lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial impõem à CPI o dever de aprofundar as diligências.
“Ninguém será blindado, não importa o cargo ou a hierarquia”, declarou.
Irmãos de ministro do STF entram na pauta
Outro ponto que elevou a temperatura política foi a inclusão, na pauta da próxima reunião da comissão — marcada para 24 de fevereiro —, de requerimentos que mencionam José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.
Embora não haja acusação formal contra o magistrado no âmbito da CPI, a citação de familiares de integrante da Suprema Corte tende a ampliar o debate sobre conflitos de interesse e eventuais reflexos institucionais, especialmente no momento em que o STF também analisa desdobramentos do caso Master.
Pressão por rigor
No Senado, parlamentares da oposição defendem que a investigação avance sem seletividade e com total transparência. Para esses senadores, o caso evidencia fragilidades na fiscalização do sistema financeiro e reforça a necessidade de apuração técnica, independente e célere.
A CPI do Crime Organizado foi instalada com a missão constitucional de investigar a infiltração de organizações criminosas em setores estratégicos da economia. O eventual uso de estruturas financeiras para movimentação de recursos ilícitos é visto como um dos pontos mais sensíveis da apuração.
Próximos passos
Os requerimentos apresentados por Contarato ainda precisam ser votados pela comissão. Caso aprovados, as quebras de sigilo dependerão de autorização judicial, conforme prevê a legislação.
O avanço das investigações pode trazer novos elementos ao já complexo cenário envolvendo o Banco Master, a atuação de gestoras de investimento e o possível uso do sistema financeiro por organizações criminosas.
Nos bastidores, a expectativa é de que o tema continue a ganhar repercussão política nas próximas semanas, especialmente diante das conexões que envolvem o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
A CPI promete intensificar os trabalhos. Resta saber até onde as apurações irão alcançar.
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