Avanço inédito na medicina reprodutiva abre novas possibilidades para mulheres sem útero e marca um novo capítulo nos transplantes ginecológicos
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O Reino Unido entrou para a história da medicina ao registrar o nascimento do primeiro bebé no país gerado a partir de um transplante de útero proveniente de uma doadora falecida. O parto ocorreu em dezembro de 2025, no prestigiado Queen Charlotte’s and Chelsea Hospital, em Londres, e representa um avanço decisivo para mulheres que nasceram sem útero ou perderam o órgão por doença. O recém-nascido, Hugo Richard Norman Powell, nasceu saudável e simboliza uma nova fronteira da medicina reprodutiva.
Um marco científico sem precedentes
A mãe, Grace Bell, nasceu com uma condição rara conhecida como infertilidade uterina absoluta, que impede a gestação devido à ausência congénita do útero. Em 2023, ela recebeu um transplante uterino proveniente de uma doadora falecida, no âmbito do programa científico INSITU (UK Investigational Study into Transplantation of the Uterus), coordenado pela organização britânica Womb Transplant UK.
Após o procedimento cirúrgico bem-sucedido, Grace foi submetida a tratamentos de fertilização in vitro na Lister Fertility Clinic, em Londres. Um embrião previamente congelado foi transferido, resultando numa gravidez cuidadosamente monitorizada por uma equipe multidisciplinar ao longo de toda a gestação.
O parto, realizado por cesariana, transcorreu sem complicações, culminando no nascimento de Hugo, considerado o terceiro bebé na Europa a nascer após um transplante de útero proveniente de doadora falecida.
“Um milagre tornado possível pela generosidade”
Em comunicado divulgado à imprensa, Grace Bell expressou profunda gratidão à família da doadora:
“Não existem palavras suficientes para agradecer à minha doadora e à sua família. A generosidade deles permitiu que eu realizasse o sonho de sempre: ser mãe. O meu filho crescerá sabendo que a sua vida é resultado de um gesto extraordinário de amor e altruísmo.”
Os pais da doadora também se manifestaram, afirmando sentir “imenso orgulho pelo legado” deixado pela filha, destacando que, por meio da doação de órgãos, ela ofereceu “esperança, cura e agora vida”.
Ciência, ética e precisão médica
O programa INSITU é um dos mais rigorosos do mundo em transplante uterino, contando com aprovação ética plena e protocolos clínicos altamente controlados. A equipe médica é liderada pelo professor Richard Smith, pioneiro mundial neste tipo de procedimento, ao lado da cirurgiã espanhola Isabel Quiroga, especialista em transplantes ginecológicos.
Segundo Smith, o nascimento representa a validação de décadas de investigação:
“Ver este bebé nascer, depois de tantos anos de estudo, desafios cirúrgicos e desenvolvimento clínico, é profundamente emocionante. Este sucesso abre caminho para que muitas outras mulheres possam sonhar com a maternidade biológica.”
Isabel Quiroga destacou que o procedimento oferece uma alternativa concreta à adoção e à gestação de substituição:
“Este é o único tratamento que permite que mulheres sem útero engravidem e deem à luz os seus próprios filhos. Trata-se de um avanço transformador.”
Um avanço que redefine a medicina reprodutiva
O primeiro nascimento bem-sucedido do mundo após um transplante de útero ocorreu na Suécia, em 2014. Desde então, menos de 100 transplantes foram realizados globalmente, com cerca de 50 nascimentos confirmados até hoje. A maioria dos procedimentos utilizou doadoras vivas, geralmente familiares próximas.
O caso britânico, no entanto, consolida a viabilidade segura do uso de úteros provenientes de doadoras falecidas, ampliando significativamente o potencial de doações e reduzindo os riscos associados às cirurgias em doadoras vivas.
Especialistas afirmam que este avanço poderá, nos próximos anos, tornar-se uma opção terapêutica mais acessível, integrando protocolos regulares em centros médicos altamente especializados.
Um novo horizonte para milhares de mulheres
Estima-se que cerca de uma em cada cinco mil mulheres nasça sem útero, além daquelas que perdem o órgão em decorrência de câncer, hemorragias graves ou outras patologias. Para esse grupo, o transplante uterino representa uma possibilidade inédita de vivenciar a gestação.
“Espero que, no futuro, este tratamento se torne mais acessível, para que outras mulheres possam viver a mesma experiência que eu”, declarou Grace.
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