Estudo internacional revela que pequenas quantidades diárias desses produtos já impactam a atenção e podem aumentar riscos ligados à demência
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Uma nova pesquisa científica acendeu um sinal de alerta sobre os efeitos silenciosos dos alimentos ultraprocessados no cérebro. Publicado na revista Alzheimer’s & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring, o estudo mostra que mesmo pessoas com alimentação considerada saudável podem sofrer prejuízos na capacidade de concentração ao consumir esse tipo de produto, evidenciando que o grau de processamento dos alimentos pode ser tão importante quanto a qualidade da dieta.
Um estudo internacional divulgado em abril de 2026 reforça a crescente preocupação da comunidade científica com os impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde cognitiva. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Monash, da Universidade de Deakin (Austrália) e da Universidade de São Paulo (USP), analisou dados de 2.192 adultos australianos, com idades entre 40 e 70 anos, todos sem diagnóstico de demência.
Os resultados indicam que o consumo elevado desses alimentos está diretamente associado à redução da capacidade de foco, além de contribuir para fatores de risco ligados à demência.
Queda no foco mesmo com dieta saudável
Um dos achados mais relevantes do estudo é que os efeitos negativos dos ultraprocessados independem da qualidade geral da alimentação. Ou seja, mesmo indivíduos que seguem dietas equilibradas — como a mediterrânea, podem sofrer impactos cognitivos ao incluir esses produtos na rotina.
Segundo a pesquisadora Barbara Cardoso, da Universidade de Monash, um aumento de apenas 10% no consumo diário de ultraprocessados — equivalente a um pacote de salgadinho — já foi suficiente para provocar uma queda mensurável na atenção dos participantes.
Os testes aplicados no estudo mostraram pior desempenho especialmente em tarefas que avaliam:
- atenção visual
- velocidade de processamento
- capacidade de concentração
O que são alimentos ultraprocessados
Os ultraprocessados são formulações industriais que passam por diversas etapas químicas e tecnológicas. Entre os exemplos mais comuns estão:
- refrigerantes
- salgadinhos de pacote
- macarrão instantâneo
- refeições prontas congeladas
Esses produtos costumam ser ricos em açúcares, gorduras, sal e aditivos artificiais, além de apresentarem baixo valor nutricional.
Por que eles afetam o cérebro
De acordo com os pesquisadores, o problema vai além da falta de nutrientes. O processo industrial pode:
- destruir a estrutura natural dos alimentos
- introduzir substâncias químicas potencialmente nocivas
- afetar o funcionamento do cérebro e do metabolismo
Esses fatores podem prejudicar diretamente a atenção — uma função essencial para atividades como aprendizado e resolução de problemas.
Além disso, o consumo frequente desses alimentos está associado a condições como obesidade, hipertensão e diabetes, que são fatores conhecidos de risco para demência.
Sem ligação direta com memória por enquanto
Apesar dos resultados preocupantes, o estudo não encontrou evidências conclusivas de que os ultraprocessados causem perda de memória. Ainda assim, os cientistas alertam que a atenção é uma função cerebral fundamental, e seu comprometimento pode impactar outras capacidades cognitivas ao longo do tempo.
Consumo elevado preocupa especialistas
Os participantes da pesquisa consumiam, em média, 41% das calorias diárias provenientes de alimentos ultraprocessados, número próximo à média nacional australiana (42%).
Esse padrão alimentar, segundo especialistas, reflete uma tendência global, impulsionada pela praticidade e pelo estilo de vida acelerado — o que torna os resultados ainda mais relevantes para a saúde pública.
O estudo reforça um consenso emergente: não basta apenas comer “bem”, é fundamental observar o nível de processamento dos alimentos. Mesmo pequenas quantidades diárias de ultraprocessados podem comprometer funções cognitivas essenciais, como o foco, e contribuir para riscos maiores no futuro.
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