Mudança na dosimetria penal, após derrubada de veto presidencial, impulsiona corrida jurídica antes mesmo da promulgação da nova lei
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
O Supremo Tribunal Federal já começou a receber os primeiros pedidos de redução de pena de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, marcando uma nova fase no desdobramento jurídico de um dos episódios mais graves da recente história política do país. A movimentação ocorre após o Congresso Nacional derrubar o veto presidencial ao projeto que altera critérios de dosimetria penal ainda pendente de promulgação para entrar em vigor.
Defesas se antecipam à nova legislação
Mesmo sem a formalização definitiva da lei, advogados têm se antecipado e protocolado pedidos junto ao STF com base na expectativa de aplicação da norma mais benéfica. O fundamento jurídico central é o princípio da retroatividade da lei penal mais favorável ao réu, previsto na Constituição Federal.
Entre os casos que já movimentam o tribunal está o de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, que ganhou notoriedade após pichar uma estátua em frente à Corte durante os atos. Em prisão domiciliar, ela busca a revisão da pena à luz dos novos parâmetros.
Promulgação é etapa decisiva
Apesar da derrubada do veto, a lei ainda precisa ser promulgada para produzir efeitos jurídicos. O Palácio do Planalto tem prazo constitucional para realizar esse ato, mas, caso não o faça, a atribuição caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A partir da promulgação, os pedidos de revisão ganham base legal consolidada, permitindo que o STF avance na análise dos casos.
Possíveis efeitos das revisões
A nova regra de dosimetria pode impactar diretamente as penas aplicadas, abrindo espaço para:
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Redução do tempo de condenação
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Reavaliação de agravantes
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Progressão de regime mais célere
Como as condenações relacionadas aos atos antidemocráticos foram centralizadas no STF, caberá à própria Corte revisar os casos e definir o alcance da nova legislação.
Alcance e controvérsias
O texto aprovado no Congresso passou por ajustes políticos para restringir sua aplicação. Inicialmente mais amplo, o projeto teve trechos modificados para evitar que benefícios alcançassem crimes como feminicídio e organização criminosa, concentrando seus efeitos nos casos ligados aos atos de 8 de janeiro e a investigações por tentativa de golpe de Estado.
Entre os possíveis beneficiados, dependendo da interpretação jurídica, estão também investigados de maior projeção política, como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Governo avalia contestação
Nos bastidores, o governo federal analisa a possibilidade de recorrer ao próprio STF para questionar a derrubada do veto, sob o argumento de inconstitucionalidade no processo legislativo. Caso isso ocorra, o tribunal poderá ser chamado a decidir não apenas sobre os pedidos de revisão de pena, mas também sobre a validade da nova lei.
Próximos passos
O cenário permanece em aberto e dependerá de três fatores principais:
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A promulgação da lei
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A interpretação do STF sobre sua aplicação
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Eventual judicialização por parte do governo
Enquanto isso, o recebimento dos primeiros pedidos indica que a disputa jurídica em torno dos atos de 8 de janeiro entra em uma nova etapa — com impactos que podem rever condenações já estabelecidas e redefinir o rumo de processos ainda em andamento.
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