Pesquisa internacional reforça ligação entre produtos industrializados e aumento de infartos, AVCs e problemas cardiovasculares
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Um novo estudo internacional voltou a acender o alerta sobre os riscos dos alimentos ultraprocessados para a saúde do coração. Pesquisadores identificaram que o consumo frequente desses produtos está associado a um aumento significativo no risco de doenças cardiovasculares, arritmias, hipertensão, diabetes e até morte precoce.
Os dados foram divulgados em relatórios científicos recentes apresentados pela Sociedade Europeia de Cardiologia e pelo American College of Cardiology. Os especialistas afirmam que alimentos industrializados ricos em açúcar, sódio, gorduras saturadas e aditivos químicos podem causar impactos profundos no metabolismo e favorecer processos inflamatórios no organismo.
Entre os produtos classificados como ultraprocessados estão refrigerantes, salgadinhos, macarrão instantâneo, embutidos, bolachas recheadas, refeições congeladas, cereais açucarados, nuggets, salsichas e diversos alimentos prontos para consumo.
Segundo o relatório publicado pela Sociedade Europeia de Cardiologia, adultos que consomem maiores quantidades desses alimentos podem apresentar até 19% mais risco de desenvolver doenças cardíacas e até 65% mais risco de morrer por problemas cardiovasculares em comparação com pessoas que mantêm uma alimentação baseada em alimentos frescos ou minimamente processados.
Outra pesquisa apresentada no congresso ACC.26, nos Estados Unidos, analisou mais de 6,8 mil adultos e revelou que pessoas que consumiam mais de nove porções diárias de ultraprocessados tiveram um risco 67% maior de sofrer eventos cardíacos graves, incluindo infarto, AVC e morte cardiovascular. O estudo também observou que cada porção adicional consumida diariamente aumentava o risco em mais de 5%.
Os pesquisadores destacam que os danos não estão relacionados apenas às calorias. Mesmo após ajustes envolvendo obesidade, colesterol, hipertensão e qualidade geral da dieta, os ultraprocessados continuaram associados ao aumento do risco cardiovascular. Isso sugere que o próprio nível de processamento industrial dos alimentos pode desempenhar papel importante nos prejuízos à saúde.
Especialistas explicam que esses produtos costumam conter combinações elevadas de açúcar, sódio, gorduras artificiais, conservantes, aromatizantes e emulsificantes. Além de alterarem os mecanismos naturais de saciedade, eles favorecem inflamações crônicas, aumento da gordura visceral e alterações metabólicas ligadas às doenças do coração.
Pesquisas anteriores já haviam apontado a relação entre ultraprocessados e problemas cardiovasculares. Estudos publicados nos últimos anos mostram que dietas ricas nesses produtos estão associadas a maior incidência de infarto, AVC e mortalidade precoce.
Os especialistas recomendam priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão, arroz, ovos, peixes e carnes frescas. Dietas inspiradas no padrão mediterrâneo, rico em vegetais, fibras e gorduras saudáveis, seguem sendo consideradas uma das formas mais eficazes de proteção cardiovascular.
Além das escolhas individuais, pesquisadores defendem políticas públicas para reduzir o consumo desses produtos, incluindo rotulagem mais clara, campanhas educativas e restrições na publicidade de alimentos ultraprocessados, principalmente para crianças e adolescentes.
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