Enquanto a oposição consolida apoio no Senado, aliados criticam duramente Romário por não assinar o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes.
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
A oposição no Senado deu um passo decisivo nesta semana ao conseguir 41 assinaturas para protocolar o pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A mobilização, que intensificou após Moraes determinar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, demonstra a força da base conservadora em barrar o que consideram abusos do ministro. Porém, o avanço no processo ficou marcado também pela ausência do senador Romário (PL-RJ), que foi duramente cobrado por aliados e correligionários.
Entre os que se manifestaram publicamente contra a postura de Romário está o pastor Silas Malafaia, influente líder evangélico, que enviou ao senador uma mensagem contundente via WhatsApp:
“QUE DECEPÇÃO! Lhe apoiei nas eleições, influenciei evangélicos a votarem em você e agora você se omite nessa hora fundamental da nossa nação. Não posso acreditar! O cara que é corajoso para falar o que pensa se omite diante da vergonhosa perseguição do ditador Alexandre de Moraes.”
Romário leu a mensagem na quarta-feira (6), mas preferiu não responder. A atitude do senador provocou ainda mais irritação de Malafaia, que não poupou críticas:
“Sempre admirei Romário porque ele é combativo, não tem medo de nada. Por que agora está omisso, calado? Como pode se omitir diante de uma situação assim, mesmo sendo filiado ao PL? Covardia.”
A pressão sobre Romário também veio de outros nomes ligados ao bolsonarismo. Jair Renan, filho do ex-presidente, usou as redes sociais para provocar o senador:
“E aí, Romário? Vai continuar vivendo do gol de 94 ou vai mostrar que também sabe jogar pelo povo? O impeachment do Moraes é sua chance de brilhar de novo.”
Enquanto Romário se mantém em silêncio, a oposição segue firme e organizada. O pedido de impeachment, apresentado pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE) como o 41º signatário, marca o fim da obstrução dos trabalhos no Senado. Os líderes oposicionistas anunciaram que vão agora pressionar o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para que dê andamento ao processo.
“Estamos desobstruindo e a oposição vai participar dos debates das pautas que interessam ao Brasil, pautas que interessam a todos, para além das questões ideológicas,” declarou o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN).
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também presente na coletiva, classificou o momento como um marco para o país:
“Alexandre de Moraes precisa voltar a ter limites. Estive com o meu pai ontem [quarta], é sempre muito duro ver uma pessoa honesta passando por isso tudo. Quando uma pessoa inocente passa por isso, precisa ser muito firme. Ele se mostrou muito forte, a gente sai fortalecido pela força dele.”
Além disso, Flávio reafirmou que há um acordo para pautar a anistia aos acusados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, reafirmando o compromisso da base bolsonarista em garantir proteção aos seus aliados.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, agora terá a responsabilidade de decidir se aceita iniciar o processo de impeachment. Para que Alexandre de Moraes seja efetivamente afastado, serão necessários dois terços dos votos dos senadores — 54 dos 81 parlamentares.
Enquanto a oposição se fortalece e demonstra unidade, a postura de Romário evidencia um desgaste político diante da base conservadora, que cobra compromisso claro no momento em que o Senado decide sobre um dos processos mais polêmicos da atualidade.
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